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Nem Só de Música Pop Viveram os Anos 80…

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

 

 

 

Já que o meu geriátrico saudosismo oitentista parece não ter cura, resolvi buscar na memória uma pequena amostra de filmes significativos dos anos 80, comprovando que aquela década não foi apenas de boa música pop, mas também de  filmes inesquecíveis que marcaram gerações.

 

intocaveis_invicioneiros_harley_coqueiro

 

[Coincidência ou não, nenhum aqui ganhou Oscar de  melhor filme no ano de seu lançamento…]

 

E como os trailers parecem ser ainda melhores que os filmes…

 

 

Os Irmãos Cara de Pau” [Blues Brothers – 1980]

Os musicais já haviam perdido o fôlego e este surgiu com um enredo bacana e muito divertido: dois ex-presidiários decidem reunir a sua antiga banda para angariar dinheiro com o objetivo de socorrer a creche onde foram criados e que se encontra à beira da falência. Nada a ver com o cafona “Flashdance”. São hilárias as participações de bambas como o “Padrinho do Soul” James Brown, Ray Charles, John Lee Hooker e da diva Aretha Franklin!

 

 

 

Mad Max” [Mad Max – The Road Warrior – 1981]

Nenhum filme futurista conseguiu pintar o futuro tão próximo da realidade quanto este. Angustiante, perverso e sarcástico, “Mad Max” abriu as portas do estrelato para o galã Mel Gibson.

 

 

 

E. T. – O Extraterrestre” [E. T. – The Extra Terrestrial - 1982]

Steven Spielberg fez este filme dirigido ao público infantil que, de tão bom, acabou tocando também o coração dos adultos. Detalhe genial: a câmera está a apenas 1 metro do chão, para que o telespectador possa se sentir como uma criança…

 

 

 

Blade Runner – O Caçador de Androides” [Blade Runner – 1982]

Clássico noir futurista com trilha sonora magistral.

 

 

 

Indiana Jones e o Templo da Perdição” [Indiana Jones and The Temple of Doom – 1984]

O mundo passa a conhecer um herói humanizado: invicioneiro, pirracento e que sente medo como qualquer mortal.

Steven Spielberg, para compensar a frustração de não poder dirigir um 007, pode ter dirigido o melhor filme de aventura de todos os tempos!

 

 

 

Um Tira da Pesada” [Beverly Hills Cop – 1984]

Já havia filmes com policiais negros como coadjuvantes, mas nada até hoje se compara a Axel Foley, o detetive gozador e folgado vivido por Eddie Murphy. Ação e risadas do início ao fim, com uma trilha sonora oitentista de arrebentar!

 

 

 

De Volta Para o Futuro” [Back To The Future – 1985]

O enredo “atemporal” deste filme é muito interessante e consagrou um pequeno gigante chamado Michael J. Fox.

 

 

 

A Garota de Rosa Shocking” [Pretty in Pink – 1986]

Eu não poderia deixar de citar filmes sobre adolescentes, na maioria dirigidos por John Hughes. Na década de 80 houve filmes sérios como “Clube dos Cinco”, “Conta Comigo”, “Footlose” e “Vidas Sem Rumo”. E também escatalógicos mas divertidos como “Porkys”, “O Último Americano Virgem”, “Gatinhas e Gatões” e “Curtindo a Vida Adoidado”.

 

 

 

Os Intocáveis” [The Untouchables - 1987]

Lembro quando este filme dirigido por Brian De Palma e estrelado por Kevin Costner, Sean Connery, Andy Garcia e Robert De Niro, esteve em cartaz no extinto Cine Rivello de Sete Lagoas. Causou um frisson que só seria igualado pelo megalomaníaco “Titanic”, mais de uma década depois.

 

 

 

Sociedade dos Poetas Mortos” [Dead Poetys Society – 1989]

Filme instigante para fechar com chave de ouro o cinema dos anos 80. A bela história de um professor transgressor vivido por Robin Williams, que faz a diferença na vida de seus alunos oprimidos pela ortodoxia de uma escola ultratradicional. Este filme tornou a frase “Carpie Diem” mundialmente conhecida.

 

 

 

[Bonus Track]:

 

Coração Satânico” [Angel Heart – 1987]

Filmaço de suspense dirigido por Alan Parker e estrelado por Mickey Rourke e Robert De Niro. Para quem tem obsessão pelo gênero [como este escriba…], poucos thrillers produzidos nas décadas seguintes alcançaram a qualidade de “Coração Satânico”.

 

Sobre o Autor:
Harley Coqueiro

Harley Coqueiro - um cara da paz, iluminista, evangélico não fundamentalista, pai do Ulisses e do Dante. Já desenhou charges, escreveu poemas e compôs canções gospel. Tem como pecados, gostar em excesso de rock'n'roll, filmes e comida!

Amy Winehouse E Seus Problemas no Paraíso…

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

 

Publiquei uma charge na última edição da Folha de Paraopeba, em homenagem à talentosa cantora inglesa Amy Winehouse, que infelizmente se foi numa idade que chamou a atenção de todos, justamente por, coincidência ou não, outros astros da música em outras eras, tiveram mortes trágicas com idades semelhantes.

 

Na charge abaixo, Jim Morrison, ao lado de Kurt Cobain, Janis Joplin e Jimi Hendrix [todos mortos aos 27 anos], adverte a cantora Amy Winehouse por chegar atrasada em mais um ensaio [!]. E como penalidade, a mesma terá de tocar a bateria…

 

Charge_Harley_Coqueiro_Amy

Bonus Track:

 

Na charge abaixo, publicada na edição de maio pp. da Folha de Paraopeba, é abordada a polêmica envolvendo a implantação da APAC em Paraopeba/MG. Para se entender o contexto da charge, o Ministério Público da Comarca de Paraopeba e a Justiça realizaram algumas audiências públicas na Câmara Municipal, tentando convencer a população local da importância do projeto, que necessitaria ainda da doação de uma área pública municipal para a sua implantação.

 

Ocorre que, ainda que tenha a sua relevância, o projeto da APAC foi muito mal abordado para a população, que o rechaçou, preocupada muito mais com o aterrorizante quadro de violência urbana e desemprego que assola a cidade atualmente.

 

“Vox populi, vox Dei”, o povo de Paraopeba disse um sonoro “não” à APAC, por entender que existem problemas muito maiores no Município e que necessitam de muito mais atenção e desprendimento por parte das autoridades constituídas.

 

Na charge em questão, aparecem Saddam Hussein e Osama Bin Laden [este, numa infelicidade, citado numa audiência pública da APAC por um desembargador!], onde há um trocadilho com as palavras APAC e Paquistão [onde Bin Laden foi encontrado]. Também há um trocadilho e referências ao clássico do cinema “Apocalypse Now”, dirigido por Francis Ford Coppola e estrelado por Martin Sheen e Marlon Brando.

 

Charge_Harley_Coqueiro

 

Na charge seguinte, da edição de junho pp., ironiza-se a polêmica decisão do STF, que libertou Cesare Battisti [militante radical de esquerda italiano, acusado de matar 4 cidadãos na década de 70, na Itália], evitando a sua extradição e, no entendimento de muitos especialistas em Direito Internacional, contrariando tratados internacionais.

 

Charge_Harley-Coqueiro_Battisti

Sobre o Autor:
Harley Coqueiro

Harley Coqueiro - um cara da paz, iluminista, evangélico não fundamentalista, pai do Ulisses e do Dante. Já desenhou charges, escreveu poemas e compôs canções gospel. Tem como pecados, gostar em excesso de rock'n'roll, filmes e comida!

Mais Um Nome Para o Mórbido “Hall Of Fame”: Amy Winehouse

segunda-feira, 25 de julho de 2011

 

Amy Winehouse passa a ser mais um nome no mórbido “hall of fame” de jovens talentos da música, que se vão de forma trágica.

 

Amy-Winehouse-Invicioneiros 

Eu estava brincando com os meus filhos no quarto, quando a minha esposa adentrou e me disse que acabava de dar no telejornal a notícia de que uma cantora acabava de ser encontrada morta em seu apartamento em Londres. Imediatamente, na minha cabeça, veio o nome de Amy. E, infelizmente, o meu vaticínio se confirmava: crônica de uma morte anunciada…

 

Amy Jade Winehouse, cantora e compositora de grande talento, ótimo gosto musical, dona de um estilo visual exótico e retrô, estava bem acima das demais cantoras contemporâneas de sucesso. Mas parece que ela direcionou a sua carreira de forma a gerar um roteiro para um filme trágico: talento, excentricidade, autodestruição e morte.

 

 

 

 

Agora ela se junta ao seleto clube de lendas que, coincidentemente, tiveram o mesmo fim: Robert Johnson, Jim Morrison, Jimi Hendrix, Brian Jones, Janis Joplin, Ian Curtis, John BonhamSid Vicious, Michael Hutchence, Kurt Cobain

 

A pessoa se vai e fica o mito. E não demorará, algum “gênio” de Hollywood estará rodando a vida de Amy Winehouse e lucrando milhões. Coisas da antropofagia necrófila do “showbiz”, que cria ícones e depois os devora…

 

 

Sobre o Autor:
Harley Coqueiro

Harley Coqueiro - um cara da paz, iluminista, evangélico não fundamentalista, pai do Ulisses e do Dante. Já desenhou charges, escreveu poemas e compôs canções gospel. Tem como pecados, gostar em excesso de rock'n'roll, filmes e comida!

Não Existe Amor em SP (Mas Talento, Sim!)

segunda-feira, 27 de junho de 2011

 

Como é que são as coisas: o meu decodificador da SKY pifou de vez. Então, enquanto aguardava a visita de um técnico para a troca do equipamento, tive que recorrer à programação da TV aberta convencional.

 

E numa dessas tardes eu assisti a um programa da TV Cultura (sempre uma excelência em sua programação), chamado de “Manos e Minas”, dirigido ao público que gosta de rap e hip-hop.

 

E não é que vi um cara chamado de “Criolo” (já foi chamado de “Criolo Doido”, que prefere ser chamado de MC a cantor), acompanhado de uma banda composta de guitarra, baixo, bateria, teclado, DJ, metais e quarteto de cordas. Quando começou a cantar a música “Não Existe Amor em SP”, eu percebi algo em sua verve, raro nestes tempos de entressafra na MPB: poesia puramente suburbana, sem o intelectualoidismo presunçoso de outrora e a futilidade de agora: “Os bares estão cheios de almas tão vazias”.

 

Criolo_Invicioneiros

 

Como outros blogueiros, também tive a idêntica sensação quando ouvi pela primeira vez “Smells Like Teen Spirit”, “Maracatu Atômico” e “Domingo no Parque”. O seja: os mesmos entusiasmo e inquietação, quando descobri Nirvana, Chico Science e Racionais MCs.

 

Fiquei ali parado na frente da TV, em transe, prestando atenção na letra e no andamento da música. Criolo canta um soul com o estilo peculiar da bossa nova. Ao vivo, a música vai ganhando tensão e cólera a cada acorde, chegando ao ápice com um solo de guitarra a la Hendrix, duelando com o quarteto de violinos, coisa que atualmente, somente o Radiohead conseguia.

 

Prestem atenção na letra e nos vídeos.  Pode ser que o amor anda raro em SP, mas ainda há talento nas periferias…

 

“Não Existe Amor em SP”

Um labirinto místico
Onde os grafites gritam
Não dá pra descrever
Numa linda frase
De um postal tão doce
Cuidado com o doce


São Paulo é um buquê
Buquê são flores mortas
Num lindo arranjo
Arranjo lindo feito pra você
Não existe amor em SP


Os bares estão cheios
De almas tão vazias


A ganância vibra
A vaidade excita


Devolva minha vida
E morra afogada no seu próprio mar de fel


Aqui ninguém vai pro céu


Não precisa morrer pra ver Deus
Não precisa sofrer pra saber o que é melhor pra você
Encontro tuas nuvens em cada escombro, em cada esquina


Me dê um gole de vida
Não precisa morrer pra ver Deus

 

Simbolismos das frustrações urbanas:

 

 

Criolo ao vivo, no SESC da Vila Mariana (SP), no lançamento do álbum “Nó na Orelha”:

 

Sobre o Autor:
Harley Coqueiro

Harley Coqueiro - um cara da paz, iluminista, evangélico não fundamentalista, pai do Ulisses e do Dante. Já desenhou charges, escreveu poemas e compôs canções gospel. Tem como pecados, gostar em excesso de rock'n'roll, filmes e comida!

A Magia do Cinema Começa Pelas Vinhetas dos Estúdios

segunda-feira, 18 de abril de 2011

 

MGM_Invicioneiros 

A Sétima Arte sempre fascinou gerações. Como é gostoso se acomodar na poltrona de uma sala escura, com pipoca e refrigerante nas mãos, e aguardar ansiosamente, com a galerinha, a exibição de um filme na tela grande!

 

Ainda que com a comodidade dos “Home Videos” (com o VHS na década de 80 e com o DVD na de 90) e dos “Home Theatre” (com as suas gigantescas TVs de LCD, Led e O-Led), nada superou a sensação de se assistir aos filmes nas salas de cinema, mesmo que fiquemos “de castigo” por umas 2 horas naquela “solitária coletiva”... [Lamenta-se profundamente que o Cine Paraopeba do “Sô” Wander Marotta, se foi com o seu dono e deixou tantas saudades! Um patrimônio da cultura paraopebense, que deveria de ter sido tombado pelo poder público municipal.]

 

Uma coisa que sempre me chamou a atenção são as vinhetas de abertura das produtoras cinematográficas. São um show a parte!

 

Depois de esperarmos por chatos “trailers” de filmes (que provavelmente nunca assistiremos), ao aparecer a vinheta da produtora é quando sabemos que o “show” irá começar de verdade!

 

Após uma breve pesquisa, escalei um time de vinhetas dos grandes estúdios de Hollywood. Embora a maioria sofreu inovações, eu selecionei as versões que eu mais gostei.

 

Metro Goldwyn Mayer (MGM)

 

Desde menino, esta vinheta me fascina com o efeito do leão rugindo. Os seus quase 10 segundos é de uma imponência e beleza plástica impressionantes. Esta vinheta passou por vários leões desde 1921, e que a partir de 1924, passaram a ser nominados:
- Goldwyn Pictures Lion #1, 1921
- Goldwyn Pictures Lion #2, 1924
- MGM - Slats the Lion, 1924
- MGM - Jackie the Lion, 1929
- MGM - Telly the Lion, 1928
- MGM - Coffee the Lion, 1932
- MGM - Tanner the Lion, 1934
- MGM - George the Lion / Brief Mane, 1956-1957
- MGM - Leo the Lion, 2008

 

Como se trata de um estúdio pertencente a cidadãos americanos de origem judaica, o animal é uma referência ao “Leão da Tribo de Judá”, descrito na Bíblia Sagrada.

 

O leão “superstar” da vinheta a seguir, chamava-se Tanner:

 

 

 

20th Century Fox

 

A música desta vinheta é um clássico do cinema. Embora de concepção visual mais simples que a de outros estúdios, é simplesmente arrepiante (ainda que lembre um mausoléu):

 

 

 

Universal Pictures

 

Também de concepção simples, a combinação de imagem e som é clássica e assombrosa:

 

 

 

Paramount  Pictures

Esta vinheta apresentou uma versão inovadora: imagem sem som. E o resultado também ficou fantástico:

 

 

 

Warner Bros. Pictures

 

Vinheta lendária que ficou mais associada aos desenhos do Pernalonga, por causa de sua logomarca WB. Nesta versão, a música é de sua megaprodução “Casablanca”, o que deixa tudo ainda mais nostálgico:

 

 

 

Columbia Pictures

 

Não há vinheta mais americanizada que esta, com a mulher no olimpo segurando a tocha, como se fosse a Estátua da Liberdade. Diz a lenda que era uma forma para driblar o Macartismo que aterrorizou os artistas de cinema nas décadas de 40 e 50. Simples visualmente, mas com uma música perfeita, também é outro clássico das vinhetas de abertura:

 

 

 

TriStar Pictures

 

Combinando os estilos da MGM e da Paramount, esta vinheta também utiliza um animal (um corcel branco que se transforma num pégasus) e não possui áudio. Esta bem elaborada vinheta dos anos 80 é a que apresentou o resultado mais onírico e mágico de todas da TriStar:

 

 

 

Columbia TriStar Pictures

Com a fusão dos estúdios Columbia e TriStar, foi concebida a nova vinheta. Na minha opinião, houve mais efeito digital que criatividade. Mas ainda assim pode ser considerada clássica:

 

 

 

Dreamworks Animation

 

Nesta vinheta, os balões do menino são a metáfora de “nossa imaginação de menino”, que vai subindo, subindo, subindo, até tocar o infinito, o desconhecido:

 

 

 

Pixar Animation Studios

 

Divertida vinheta que homenageia os antigos desenhistas de animação da Disney. É protagonizada por uma lâmpada, que no primórdio dos tempos da animação, iluminava as pranchetas dos desenhistas, antes da era digital.

 

 

 

Castle Rock Entertainment

 

Esta vinheta não é tão famosa como as anteriores, mas sou fã dela. A beleza do farol girando enquanto um novo dia amanhece esperançoso sobre o azul do mar que se revela com a luz, é poética como uma canção de Dorival Caymmi ou um conto de Gabriel García Marquez:

 

 

 

Sobre o Autor:
Harley Coqueiro

Harley Coqueiro - um cara da paz, iluminista, evangélico não fundamentalista, pai do Ulisses e do Dante. Já desenhou charges, escreveu poemas e compôs canções gospel. Tem como pecados, gostar em excesso de rock'n'roll, filmes e comida!

Quero Ser Omar Kháyyám

segunda-feira, 11 de abril de 2011

 

Omar_Poeta_Persa

 

Você, caro leitor, já deve ter assistido ou pelo menos ouvido falar do filme “Quero Ser John Malkovich” (Being John Malkovich, EUA, 1999), estrelado por John Cusack, Cameron Diaz e o próprio John Malkovich, no papel de si mesmo. É imperdível!

 

Eu, por algumas vezes, já pirei de me imaginar sendo uma destas figuras intrigantes em várias fases da minha vida: Bruce Wayne (dos 5 aos 7 anos), Speed Racer (dos 8 aos 10), Éder Aleixo de Assis (dos 11 aos 13), Michael Jackson (dos 14 aos 15), Elvis Presley (aos 16), Lenny Kravitz (aos 22), Edmundo Alves de Souza Neto (aos 25), Rocco Siffredi (oops!), e claro: Paul Macca!

 

Mas no “dream team” acima, eu omiti um nome, que não é tão “pop” quanto os demais, mas de uma importância na literatura mundial como poucos. Trata-se de Ghiyath Al-Din Abu'l-Fath Omar Ibn Ibrahim Al-Nishapuri Al-Kháyyám, ou simplesmente Omar Kháyyám (Nichapur, Pérsia, 1040 – 1125), grande matemático e astrônomo, além de ter sido um poeta, cuja obra fui conhecer aos 16, 17 anos, enquanto me aventurava pelos labirintos caleidoscópicos da poesia. Na época fiquei impressionado com os belos versos em ritmo eclesiástico e por sua visão da precariedade do destino humano, tendo sempre o vinho como bálsamo para a alma dolorida do poeta.

 

Omar Kháyyám (pronuncia-se “omáre xaián”) era um iluminista e ambientalista a frente de seu tempo e me fez ter uma outra percepção da existência humana, pelo seu desprezo às vaidades terrenas; pela busca de respostas no campo espiritual e pela exaltação à natureza.

 

Lembro de um Rubai (poema em quatro versos) que eu havia datilografado deste poeta persa e era o prefácio de meu portfólio de charges, caricaturas e outros imbondos de minha juventude:

 

A nossa vida é breve como um incêndio.

Chama, que um leve sopro apaga;

Cinzas, que o vento dispersa:

Eis a existência de um homem.

 

Omar_Poema_Tatuado

 

Acostumado aos poemas de gigantes da poesia ocidental, tais como Carlos Drummond de Andrade, Augusto dos Anjos, Oswald de Andrade, Fernando Pessoa, Charles BaudelaireAllen Ginsberg, Ian Curtis, Jim Morrison, Pablo Neruda, Alda Ghisolfi, Renato Russo, The EDN, etc, Omar Kháyyám, com a influência do islã e da rica cultura árabe, me fascina até hoje com os seus Rubaiyat (plural de Rubai):

 

Os sábios e os filósofos mais ilustres caminharam nas trevas da ignorância.
E eram os luzeiros do seu tempo...
Em suma, que fizeram eles?
Pronunciaram algumas frases confusas e adormeceram fatigados.

 

Há miríades de séculos, as auroras e os crepúsculos sucedem.
Há séculos e séculos os astros fazem a sua ronda de sempre.
Pise a terra com cautela...
Talvez o torrão que vais esmagar tenha sido o olho terno 

de uma bela adolescente.

 

Não pedi a vida a ninguém.
Esforço-me por acolher sem espanto e sem cólera
tudo o que a vida me oferece.
Partirei sem indagar.

Sim, partirei sem indagar o motivo da minha misteriosa estada neste mundo.

 

E esta é apenas uma pequena amostra do que me fez querer ser Omar Kháyyám, também...

 

Sobre o Autor:
Harley Coqueiro

Harley Coqueiro - um cara da paz, iluminista, evangélico não fundamentalista, pai do Ulisses e do Dante. Já desenhou charges, escreveu poemas e compôs canções gospel. Tem como pecados, gostar em excesso de rock'n'roll, filmes e comida!

Os meus 8 guitarristas preferidos

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Faço esse post sobre os meus 8 guitarristas preferidos, motivado pelo som que ouço agora no meu computador, enquanto elaboro uma prova para os meus alunos e simultaneamente estudo um conteúdo referente a meu curso de Educação Inclusiva da PUC-MG. Enquanto as distorções e acordes se sucedem, sinto-me cada vez mais animado para terminar tais atividades, se Deus quiser, até a meia-noite, pois preciso dormir pelo menos umas seis horas. Trata-se de uma lista totalmente ególatra. Muitas existem espalhadas na rede, mas essa minha lista fiz considerando única e exclusivamente minha percepção e meu gosto pessoal. Não espero concordâncias. Espero discordâncias e acréscimos, para que possa conhecer outros mestres.

Confiram a seguir:



1) Jimi Hendrix
Para mim, Jimi é o maior guitarrista de todos os tempos. Não haverá nenhum como ele, considerando seu estilo e sua performance, na minha predileção. O vídeo abaixo diz mais que palavras.




2) Eric Clapton
O segundo lugar de minha preferência é um sujeito extremamente respeitado no meio do “show-bizz”, não apenas pelo talento, mas sobretudo pelo caráter. Uma lenda ainda viva, passou por todas as fases que um grande artista costuma passar, sobrevivendo a todas elas. Sua guitarra tocou de reggae a blues e sua sonoridade é marcada especialmente pela suavidade, embora pudesse eventualmente ser pesada. A apresentação abaixo é um exemplo disso:







3) Mark Knopfler
O grande guitarrista Mark Knopfler é um bom exemplo de humildade enquanto músico. Avesso a badalações, leva uma vida discreta e artisticamente sempre esteve ligado a grandes músicos, sobretudo guitarristas virtuosos como ele, em apresentações ao redor do mundo. O maior exemplo de sua capacidade, para mim, é a música abaixo, um dos maiores sucessos do Dire Straits:








4) Keith Richards
O guitarrista dos Rolling Stones é um dos meus preferidos, por mais contraditório que possa parecer, porque tive a oportunidade de compara um LP seu à época em que se separou dos Rollings Stones e lançou-se solo. É um disco em que sua guitarra aparece mais, sem a concorrência de Mick Jagger. A música abaixo é deste disco:








5) Chuck Berry
Simplesmente quem apresentou a guitarra ao Rock and Roll e vice-versa, criando um casamento inseparável. Tão inseparável quanto Chuck Berry e sua Lucille, como carinhosamente ele chama sua guitarra.  Assistam ao vídeo abaixo:







6) Frank Zappa
Um empate técnico entre Zappa e Jimmy Page, do qual falarei em seguida. Um grande guitarrista, que fez parte da memorável The Elephants Memory Band, que acompanhou Lennon logo que os Beatles se separaram. O vídeo abaixo mostra sua performance em música do Led Zeppelin:







7) Jimmy Page
O grande guitarrista do Led Zeppelin não pode ficar de fora dessa minha lista de preferências e faço questão de trazê-lo em performance sensacional ao lado do vocalista Robert Plant em 1973 no Madison Square Garden:







8) Robertinho do Recife
O maior guitarrista brasileiro e um dos maiores do mundo, certamente. O cara é simplesmente fera e toca a guitarra com uma virtuosidade insuperável. Vai do popular ao clássico, passando por todos os gêneros. O vídeo abaixo mostra isso, em que até Villa-Lobos e suas Bachianas são lembradas:





Encerro minha lista com apenas 8 nomes, mas poderiam ser 200. Há muita gente boa no mercado, mas não podemos esquecer que muitas performances hoje são ajudadas pelos recursos eletrônicos. Dessa minha lista, como diz o Seu Creysson, “eu agarantio” que são músicos que tocam sem necessidade de ajuda tecnológica, a não ser os próprios recursos da guitarra e de suas genialidades.



Para finalizar, deixo a imagem de um grande guitarrista, Slash, que não obstante, ficou fora de minha lista, ao lado de sua coleção de guitarras:


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Sobre o Autor:
The EDN

The EDN - sou industriário, trabalho há 27 anos na Cedro (indústria têxtil centenária de Caetanópolis, MG) e atuo como professor há 24 anos em escolas particulares e públicas

Ego de Vidro

segunda-feira, 19 de julho de 2010

 

i_love_myself_and_thats_all_that_matters

 

Antes de tudo, peço escusas aos nobres leitores e aos leais companheiros invicioneiros. Outras atividades e compromissos profissionais estão tornando cada vez mais escasso o meu tempo.  Mas isso não é de todo ruim: “cabeça vazia é morada do diabo”, como diz uma canção da banda mineira Tianastácia

 

Mas como este blog faz parte de minha vida, evitarei ficar mais de quinze dias sem postar…

 

Assim sendo, postei um vídeo com um pequeno poema, que fiz justamente para o formato do You Tube.

 

A música de fundo [“Elegia”] é um instrumental da banda inglesa New Order (uma das favoritas de minha conturbada juventude!).

 

Espero que gostem!

 

Sobre o Autor:
Harley Coqueiro

Harley Coqueiro - um cara da paz, iluminista, torcedor do Galo, evangélico não fundamentalista, pai do Ulisses e do Dante. Já desenhou charges, escreveu poemas e compôs canções gospel. Tem como pecados, gostar em excesso de rock'n'roll, filmes e comida!

Pen Drives & Overdrives #2

segunda-feira, 24 de maio de 2010

 

Seattle_Sky 

 

Depois do “rockabilly” e do “punk rock” nova-iorquino e londrino do final da década de 70, o último movimento que teve relevância para o “rock’n’roll” foi o “grunge” da Seattle dos anos 90.

 

Carinhas perturbados com camisas xadrezadas de flanelas (eu tinha as minhas!) e que viviam numa cidade fria e cinzenta sob um céu eternamente nublado, elevaram a angústia ao “status” de arte com a sua música de acordes simples e “riffs” carregados de cólera juvenil.

 

E dentre as bandas representativas deste movimento, separei três vídeos que eu tive de, lamentavelmente, descarregar de meu “pen drive” sobrecarregado:

 

 

Alice In Chains – “Man In The Box” (prestem atenção na feroz introdução “nu metal” das guitarras e na entonação da voz solo e no contracanto do “backing vocal” no refrão:

 

 

 

 

Pearl Jam – “Alive” (a voz de Eddie Vedder no refrão, parece um mantra):

 

 

 

 

Nirvana -  “Smells Like Teen Spirit” (bateria tribal, guitarra sangrenta e vocal “dos inferno” – talvez a melhor música do rock’n’roll de todos os tempos):

 

Sobre o Autor:
Harley Coqueiro

Harley Coqueiro - um cara da paz, iluminista, torcedor do Galo, evangélico não fundamentalista, pai do Ulisses e do Dante. Já desenhou charges, escreveu poemas e compôs canções gospel. Tem como pecados, gostar em excesso de rock'n'roll, filmes e comida!

Os 5 Maiores Petardos do Futebol Brasileiro

segunda-feira, 17 de maio de 2010

 

missel_cross 

 

 

Fiz este Top 5, em ordem cronológica, dos craques que tinham/têm chutes potentes e eram/são exímios cobradores de falta. Todos brilharam na Seleção Brasileira e foram/são donos, ora de belos gols, ora de gols importantes para o futebol brasileiro em geral.

 

 

Rivelino

Ídolo de gerações e de feras como o Maradona, Rivelino, além de um jogador cerebral e driblador de repertório brilhante (Mestre do “elástico”), tinha um chute potente que lhe rendeu o consagrador apelido de “Patada Atômica” na Copa do México’70. É ídolo eterno no Corinthians e Fluminense.

Vejam esta “bomba atômica” contra a Inglaterra:

 

 

Nelinho

Dono de um chute fortíssimo, que combinava potência e efeito, Nelinho é o autor de um dos gols mais bonitos de todas as copas, assinalado contra a Itália, na Copa da Argentina’78. A marcação de falta à pequena ou média distância da grande área, com Nelinho, era meio gol. Um dos melhores laterais-direito do futebol brasileiro de todos os tempos, conseguiu a proeza de ser respeitado e brilhar nos arquirrivais Cruzeiro e Atlético-MG, além de ter um registro no Guiness Book: conseguir chutar uma bola para fora do estádio do Mineirão.

Detalhe: o golaço a seguir não foi de cobrança de falta:

 

 

Éder

O “Bomba de Vespasiano” tinha um chute explosivo como o seu temperamento. Marcou vários golaços de falta e olímpicos, na mesma proporção em que levou cartões vermelhos e atrizes televisivas para a cama. Galã e “playboy”, Éder é o recordista absoluto de recebimento de cartas de fãs numa copa do mundo. Mas é o gol que marcou contra a ex-URSS, na Copa da Espanha’82 [na célebre jogada em que Falcão faz um inteligente corta-luz para o ponta dominar de canhota e com a mesma disparar um míssel contra a meta do goleiro soviético], que mais marcou a sua carreira. Também é tido como um dos mais belos gols de todas as copas, pela plasticidade da jogada, arremate cinematográfico e comemoração contagiante:

 

 

 Branco

Branco é dono de um dos gols mais importantes do tetracampeonato conquistado pelo Brasil na Copa dos EUA’94. Num jogo difícil contra a Holanda, o lateral-esquerdo, na cobrança de uma falta do meio da rua, disparou um torpedo em que o Romário teve de se esquivar para não ser mortalmente atingido. Diz a lenda que na Copa da Itália’90, quase levou um jogador da Escócia ao óbito, depois de cobrar uma falta com violência criminosa e a bola explodir na cara do infeliz que estava na barreira.

Nos melhores momentos do vídeo a seguir, confiram aos 2:08 o disparo letal contra a Holanda:

 

 

Roberto Carlos

O único canhão humano em atividade, Roberto Carlos fez sucesso no Palmeiras e Real Madrid com os seus mísseis. Com uma explosão muscular impressionante, as suas cobranças de falta são uma mistura dos chutes de Branco + Nelinho (TNT pura!). Atualmente no Corinthians, embora  não apresente a mesma condição física de outrora, tecnicamente ainda é muito respeitado.

Vejam o efeito spielberguiano em que a bola fez nesta cobrança de falta contra a França:

 

Os 11 Maiores Peladeiros de Todos os Tempos

segunda-feira, 26 de abril de 2010

 

garrincha_botafogo

 

Antes que algum desavisado me acuse de herege, quero deixar bem claro que o título de “peladeiro” a ser conferido aos craques desta lista, deve-se ao estilo “solto” e “moleque” que cada um teve ou tem para praticar o verdadeiro Futebol Arte. “Peladeiro” aqui, não deve ser entendido na forma pejorativa.

 

Para se ter uma ideia, os “peladeiros” deste “Top Eleven” brilharam na seleção brasileira ou na seleção de seus países, no caso dos estrangeiros.

 

Na definição do Prof. Wilton Carlos de Santana, “peladeiro”, em geral, “é aquele que não foi orientado por bons técnicos, não treinou de forma sistemática e, por isso, não respeita princípios táticos do jogo”. Claro que este conceito não se aplica aqui, em sua plenitude, uma vez que estes “peladeiros” foram ou são profissionais bem-sucedidos do ludopédio.

 

E “peladeiro” é um ser onipresente. Reparem: está em todos os cantos do campo e com a bola nos pés. São invicioneiros, fominhas e têm o fôlego de 1000 tubarões brancos!

 

Ah, e neste “dream team”, eu ainda escalei os “peladeiros” pela posição de origem:

 

1 – Higuita

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Esqueça os goleirões galãs e bem-comportados: o arqueiro da “defesa do escorpião” é uma lenda do futebol mundial. Audacioso, irreverente e talentoso, chegava ao extremo de atuar como líbero e desempenhava tal função com mais segurança que muitos zagueiros. Higuita ficou estigmatizado em razão do lance fatal da partida entre Camarões e Colômbia, válida pela Copa da Itália’90 [se bem que eu debito aquele lance na conta do zagueiro, que “amarelou” e recuou uma bola “na fogueira” para o goleiro, que teve de se virar na frente do craque Roger Milla. O resto da história, todos sabem...].

 

2 – Cafu

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Reprovado em mais de 10 peneiras em vários clubes, Cafu é o símbolo da persistência dos “losers” que sonham com dias melhores. Com a bênção do Mestre Telê, este lateral-direito de condicionamento físico exemplar, brilhou no São Paulo, Europa e na Seleção Brasileira, levantando a taça da Copa da Coreia/Japão’2002 como o legítimo capitão e gritando aos quatro ventos: “Regina, eu te amo!”, comprovando a tese de que os peladeiros também amam...

 

3 - Júnior Baiano

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Na Alemanha apelidaram Júnior Baiano de “Blackenbauer”, comparando-o à Beckenbauer (!). Claro que exageraram na comparação, mas Júnior Baiano, com o seu carisma e disposição, conseguiu a façanha de ter o seu futebol reconhecido pelos ultranacionalistas torcedores germânicos.

 

4 – Rondinelli

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Rondinelli, “O Deus da Raça”, levava os torcedores do Flamengo ao delírio pelas suas atuações que eram um misto de “kamikaze” com gladiador romano. Conseguiu um título carioca em cima do Vasco nos últimos minutos, ao marcar um golaço de cabeça que teve a força de um chute e um valor histórico maior ainda: salvou uma geração inteira de craques da Gávea. Possesso, Rondinelli parecia ter uma bola capotão no lugar do cérebro, a ponto de, certa vez, deixar Zico assustado com a sua disposição em cabecear uma bola no pé do adversário e sair com a boca suja de sangue e grama (este “comia a grama”, literalmente!). Enfim, o lendário Flamengo dos anos 80 não era apenas Raul, Leandro, Júnior, Adílio e Zico. Tinha o Rondinelli também!

 

6 – Sorín

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Lateral-esquerdo ou centroavante? Não interessava: a torcida do Cruzeiro foi seduzida pelo futebol de alto nível e garra deste argentino, que conseguiu fazê-la esquecer de ídolos recentes e vencedores como Nonato.

 

5 - Toninho Cerezo

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Eu o considero “O Maior Peladeiro de Todos os Tempos”. Desengonçado, bigodudo e, com as meias arriadas, parecia ainda mais magricelo. Este ex-palhaço, exemplo típico do futebol praticado nos anos 70/80, brilhou no Atlético-MG, Roma e São Paulo, como um volante que jogava para a frente. Fez parte da “Melhor-Seleção-do-Mundo-que-Não-Ganhou-uma-Copa-ao-lado-da-Holandesa74”, que disputou a Copa da Espanha’82.

 

8 – Felipe

felipe

A imprensa carioca chegou a compará-lo ao Garrincha e eu concordo que chegou bem perto. Este ex-lateral esquerdo do Vasco, que atualmente atua com maestria no meio-campo, tem uma técnica mágica e inata: dribla com a bola e o adversário parados. Isso mesmo: os craques, quase que invariavelmente, driblam com a bola em velocidade  e os algozes em movimento, enquanto o Felipe espera o seu marcador tomar fôlego e fazer o nome do Pai, antes de lhe dar o bote letal. E da forma como executa os seus dribles (influenciado pelo Mané Garrincha), tem um grau de dificuldade muito maior e que requer talento, técnica, concentração, confiança e irreverência. Pode se dizer que os dribles de Felipe são o que um ser humano consegue fazer para se aproximar do extraterreste Garrincha.

 

10 – Messi

messi

Na infância, em razão da baixa estatura, teve que tomar hormônios para crescer. Tal como os super-heróis, o efeito colateral transformou o pequeno Messi num dos gigantes da história do Futebol Arte. Armador veloz e inteligente, o seu imensurável talento parece fugir ao seu controle (tem a marra de amarrar um barbantinho na bola). O seu belo futebol já está sendo comparado ao de Maradona e Di Stéfano, menos peladeiros que ele.

 

7 - Renato Gaúcho

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Com Renato em campo, não tinha bola perdida. Desengonçado, meias arriadas a la Cerezo e trombador clássico. Tinha o físico de zagueiro mas era ágil em seus dribles: em 2 lances, este ponta-direita entortou os defensores alemães e deu o título do Mundial Interclubes ao Grêmio, em cima do Hamburgo. Versátil, quando não dava para resolver com os pés, ia com a barriga mesmo, como no histórico Fla-Flu, em que conquistou com bravura o título carioca para o time das Laranjeiras.

 

9 – Casagrande

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Altão, cabeludo e desengonçado. Um dos líderes da emblemática “Democracia Corintiana”. Com os seus gols decisivos de centroavante oportunista e estilo de roqueirão setentista, conseguiu seduzir a apaixonada Fiel Corintiana.

 

11 – Garrincha

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O que esse craque deve estar entortando de almas nas peladas do Paraíso não está no gibi. O “Anjo Torto”, como bem definiu Telmo Zanini, e que, segundo a lenda, por possuir uma perna mais curta, conseguia humilhar os “joões”. E assim, superando todos os preconceitos e estereótipos, este ponta-direita descendente de indígenas, tinha tudo para não vingar no futebol. Entretanto, como um personagem da Walt Disney num enredo de tragédia grega, teve uma carreira meteórica, regada a dribles cinematográficos, glórias internacionais e paixões mal resolvidas, que o levaram a sucumbir ao álcool, resultando num final miserável e melancólico, para a vergonha de uma Nação que desampara os seus heróis. A sua trajetória artística/futebolística lembrou e muito às dos cantores de “Blues” dos anos 30/40. Enfim, o Rei Pelé merece o nosso respeito, entende? Mas sem “a Alegria do Povo”, como também era conhecido o Mané, o futebol, conservador e careta do jeito que é, jamais teria graça!

 

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Há ainda os reservas de luxo: Chilavert, Tupãzinho, Ronaldinho Gaúcho, Vampeta, Edilson Capetinha, Robinho, Riquelme, Paulo Nunes, Marcelinho Carioca, Iranildo e o aspirante à peladeiro Neymar.

 

Sobre o Autor:
Harley Coqueiro

Harley Coqueiro - um cara da paz, iluminista, torcedor do Galo, evangélico não fundamentalista, pai do Ulisses e do Dante. Já desenhou charges, escreveu poemas e compôs canções gospel. Tem como pecados, gostar em excesso de rock'n'roll, filmes e comida!