Leia também...

Leia também...
Homo Sapiens x Homo Cyber

Leia também...

Leia também...
O Humor nos Tempos do Cólera

Leia também...

Leia também...
Os 10 Mandamentos da Vida Virtual

Leia também...

Leia também...
Santos Reis
Mostrando postagens com marcador Literatura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Literatura. Mostrar todas as postagens

Escrevo escravo

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

 
lapis
(Imagem retirada do Google Images)
 
Leio poema de Paulo Leminski, dos quais gosto muito (não, caro leitor, não há erro de concordância: gosto muito de todos, pessoa, autor e obra). Inspiro-me a escrever sobre. Leiamos o poema do Paulo:
 
 
                                                                       Razão de ser
 
Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece.
E as estrelas lá no céu
Lembram letras no papel,
Quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?
 
(Paulo Leminski)
 
 
Não tenho feito isso ultimamente... Não escrevo há muito... Não é falta de tempo. Não é falta de inspiração. Não é falta. Tem de ter por quê?
 
Não é a falta que me faz escrever, nem a plenitude em mim. O que me impulsiona não sei. Palavras são arbitrárias e arbitram meu escravo arbítrio. Quanto a elas, palavras me faltam, as palavras não me faltam. Ordenam-me, comandam o que digo e o que não falo, quando me calo.
 
Levam-me ao estupor e ao torpor estúpido da consciência inconsciente e inconsequente da criação. Recrio o escritor no frio da cama, da chama estética, enquanto a poética veia pulsa, soluça no pensamento que flui como um rio. Rio de mim mesmo e não consigo conter a lágrima atrevida que se impõe na minha vida como marca indelével de minha sensibilidade, a verdade que me mantém no curso, na rota de uma rota folha de papel onde li Leminski.
 
Tem que ter por quê?
 
 
 
Sobre o Autor:
The EDN
The EDN - sou industriário, trabalho há 27 anos na Cedro (indústria têxtil centenária de Caetanópolis, MG) e atuo como professor há 24 anos em escolas particulares e públicas

Receita Literária

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

 

Uma forma bem didática de propagar o nome dos grandes mestres da literatura brasileira. Nesta frase recebem homenagem especial: Manuel Bandeira; Machado de Assis; Guimarães Rosa; Graciliano Ramos; Gregório de Matos; Augusto dos Anjos e Jorge Amado.

 

 

Frase autores2

 

Sobre o Autor:
José Márcio
José Márcio - Editor Chefe dos Invicioneiros, leitor voraz e aprendiz de escritor.Tem opinião e assume os riscos Saudosista dos anos 80. E palpiteiro inveterado. Me Circule no Google+.

Invicioneiro

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

A escola de Caetanópolis iniciava um novo ano letivo. Muitas caras novas apareciam, como de costume. Vários alunos vinham de outras cidades, como o Zé Vito, um menino gordinho. Falou para os professores que gostava muito de futebol. Mas, na escola de Caetanópolis, meninos gordinhos só no gol.



Zé Vito era um menino caladão e sua timidez vermelha no rosto bochechudo não lhe deixava reivindicar. O pai morrera do coração e a mãe tinha voltado para o interior para morar perto da família e trabalhar no salão da tia como cabeleireira. Zé Vito quase não saía para brincar na rua, porque a mãe não deixava, menino que vive na rua não presta.


Na escola, Zé Vito demorou um pouco a adaptar-se, mas o professor Juca de Sá Chica o ajudou. Dava aulas de Educação Física e era vizinho do Zé Vito. O gorduchinho destacava-se no gol do time da escola, sempre com boas defesas e ótima saída de bola. Mas continuava sendo o gordinho Zé Vito.


Um dia chegou à escola Rodnei, menino bom de bola que veio de time grande da capital, de escolinha profissional. Chegou com fama, pois era grandão e fortão para sua idade e, principalmente, bom de bola mesmo. Só havia um problema: era goleiro... Surpresa para todo mundo: Zé Vito perdeu a posição.


Mas Rodnei não queria tomar a vaga de Zé Vito, até porque veio morar perto da casa dele e tornou-se seu amigo. Um dia, Rodnei viu Zé Vito brincando com a bola. Chamou-o para jogar “gol a gol”. Perdeu feio para o Zé Vito. Ele dava cada bomba, impossível de pegar, principalmente em se tratando de bola de plástico duro murcha.


No primeiro dia de treino, Rodnei fez uma exigência: queria o Zé Vito no time. A turma achou graça, pois gordinho só servia para goleiro. Mas resolveram experimentar, depois que o professor Juca de Sá Chica, técnico do time, mandou. Zé Vito fez oito gols no treino e deixou todo mundo boquiaberto com seus chutes e seus dribles.


Mas o Zé Vito tinha um defeito grave: era um invicioneiro. Não passava a bola para ninguém. Parecia que só enxergava o gol — recebia a bola, olhava para o gol e mandava a bomba. Às vezes, não dava para chutar direto, então ele usava seu corpo pesado para proteger a bola e ninguém conseguia tomar. O time da escola foi campeão, mas os colegas do Zé Vito até hoje reclamam do gorducho invicioneiro.


Queen - "We Are The Champions" — Uma das melhores apresentações do grupo (Wembley)

Sobre o Autor:
The EDN
The EDN - sou industriário, trabalho há 27 anos na Cedro (indústria têxtil centenária de Caetanópolis, MG) e atuo como professor há 24 anos em escolas particulares e públicas

Sem palavras

quinta-feira, 4 de julho de 2013

 
Nada publico há meses. Na verdade, não tinha o que dizer. Meu silêncio falava mais, ainda que isso seja um clichê.  Meu momento é de ouvir muito e de falar pouco. É hora de aprender e apreender. Reescrever histórias já contadas e já ouvidas, para encontrar de novo o caminho e não um novo caminho.
 
 
Nessa altura da vida, meu GPS já está com a rota traçada. Desviei-me dela por algum tempo, mas, graças a deus, sei como buscá-la outra vez. Para isso, como diria Drummond ) Carlos), “considero a enorme realidade”.
 
Nunca me afastei (e nunca vou fazê-lo) do que deveras sou. Não estou taciturno, tampouco meus amigos leais. Na cadência do passo que sigo, percebo o ritmo da música que me embala e desembola a improvável angústia que não consegue vencer minha vontade.
 
Olho as janela abertas e gostaria que fossem portas. Mesmo assim, sei que posso olhar através delas e se for o caso, saio por elas. As paredes não me prendem, pois estou livre. Liberto, desconheço a prisão e, por isso, não a temo.
 
Nada publico há meses. Não tenho o que dizer. Mas transcrevo abaixo quem me diz muito, além de deixar-lhes, meu prezado leitor e minha prezada leitora, que vocês ouçam e vejam o vídeo a seguir.
 
 
 
 
“Sem palavras”
 
há um bom tempo estou sem palavras
não sei do que falar
nem porque fazê-lo
mas sei que é na feitura das lavras
e no esperançoso semear
é que se quebra o gelo
para colher-se o poema que brota
de onde estava, imaturo,
esperando, na fonte que não se esgota
no lugar mais escuro
que a claridade da inspiração
vai iluminar…
 
 
mesmo que o cansaço invada
corpo e mente ansiosos por revelar
ao mundo aquela tímida emoção
sem palavras, o poema não é nada…
nada mais que a simples vontade de falar…
expressar-se na tentativa de recriar
no espaço vazio do papel
a sequência de palavras que dirão
que a vida não é apenas uma ilusão
nem somente realidade cruel
a vida nos ilude e nos seduz
a vida nos fere e nos acaricia…
 
 
sem palavras estou há um bom tempo
não consigo encontrar facilmente a rima
nem me prendo à métrica inexata
escreve simplesmente e o poema termina…
 
 
 
 
 

 

Sobre o Autor:
The EDN

The EDN - sou industriário, trabalho há 27 anos na Cedro (indústria têxtil centenária de Caetanópolis, MG) e atuo como professor há 24 anos em escolas particulares e públicas

Crônica de Paris

quinta-feira, 7 de junho de 2012

 
Escrevo este post diretamente de Paris. Trés bien! A belíssima cidade encantou-me com sua aura repleta da essência da antiguidade cultural e social. Berço de grandes movimentos que marcaram a história da humanidade, a capital francesa é deveras impressionante.
 
paris4

Passeei por vários lugares e, claro, não poderia me abster do turismo gastronômico, inspirado pelos quase brasileiros mas franceses Claude Troigros (Que Marravilha!) e Olivier Anquier (Diário de Olivier). Aproveitei-me do café da manhã ao jantar, este último sempre acompanhado das delícias de Dionisos, vinhos saborosíssimos que me permitiam harmonizações gastronômicas FAN-TÁSTICAS, como diria meu caro amigo Nilsão Tico.

Conheci certo senhor Villegagnon que sabia mais que o Google a respeito da França e de Paris. Contou-me sobre Edith Piaf, Charles Aznavour, Yves Montand, Joe Dassin,  Maurice Ravel e outros grandes nomes da música francesa, a “chanson”. Monsieur Villegagnon mostrou-me também os poemas de Rimbaud, de Verlaine, Mallarmé e Baudelaire. Contou-me das histórias de Alexandre Dumas pai e filho, de Balzac, de Simone de Beauvoir, de Camus, de Flaubert e de tantos outros nomes da literatura francesa que não caberiam nesse post.

Monsieur Villegagnon era gago. Tartamudeando o francês, dificultava-me o entendimento da língua de Émile Zola. Mas sua visão cultural sintetizava-me a França e, especialmente, Paris.

Percebia naquele senhor um olhar brilhante quando discorria sobre seu tema preferido, mas algo anuviava-lhe a íris quando lhe vinha a necessidade de falar sobre o povo francês. Achava que os franceses estavam perdendo a identidade. Nem presidente tinham mais. Era um títere comandado por uma mulher bonita, aliás, lindíssima. Dizia também da violência provocada por discussões étnicas, políticas e religiosas, que provocavam o medo no povo.

Interrompi-o para dizer-lhe que suas preocupações não procediam, na minha ótica. Ser governado por uma mulher não é tão ruim assim (inclusive já perdeu as eleições). Como brasileiro, sei bem isso. Quanto às manifestações de violência, por mais execráveis que sejam, é inerente à França ser palco de manifestações sociais que mudaram o mundo e certamente haverá o momento de paz novamente. É só lembrar da Revolução Francesa, como exemplo.

Monsieur Villegagnon abriu um sorriso e disse-me que minhas palavras o confortaram. Prometeu-me refletir a respeito delas, pois vinham de um brasileiro. E os brasileiros são as pessoas mais felizes do mundo, porque são otimistas sempre. Não acreditam no impossível e por isso sorriem.

Despediu-se de mim e seguiu vagarosamente pela rua acima. Observei-o caminhar com as mãos para trás, o que me lembrava meu saudoso pai. Monsieur Villegagnon virou a esquina, mas sua imagem permaneceu em minha retina. Não, não quis fazer essa rima, não propositalmente, mas acima de nosso querer, nossa mente nos trai e nosso muro de defesa cai. O lirismo nos invade ao lembrarmos pessoas queridas que fizeram em nossas vidas marcas indeléveis. E nessa cidade, tudo nos inspira, mesmo que, de fato, não estejamos nela e tudo não passe de divagações.

Nunca fui a Paris e, provavelmente, nunca irei. Mas fico imensamente feliz por saber que minha madrinha realiza agora, nestes dias, seu sonho... E isso, para mim, é algo fundamental: realizar sonhos.

Sonharei mais, então. Quem sabe um mundo melhor, quem sabe pessoas melhores, como Monsieur Villegagnon, quem sabe...


Simplesmente fantástica a sofrida e angustiada grande dama da música francesa

Aznavour é uma das vozes masculinas mais marcantes da história da música


O maior sucesso desse grande cantor que fez muito sucesso em terras brasileiras


Aliás, a letra de “Et si tu n’existais pas” é uma poesia belíssima, que merece ser lida.

Sobre o Autor:
The EDN

The EDN - sou industriário, trabalho há 27 anos na Cedro (indústria têxtil centenária de Caetanópolis, MG) e atuo como professor há 24 anos em escolas particulares e públicas