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Blogar é um vício gratificante

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

1aniversario

 

Em meados de 2008 eu e um amigo da faculdade, começamos uma discussão via MSN sobre a questão de quem tinha mais torcida em Minas, obviamente que nossa discussão, apesar das divergências,  foi pautada pela cortesia, que uma característica peculiar do grande amigo Marcelo, umas das pessoas mais educadas e legais que conheci, e que também me salvou da dependência na disciplina de Contabilidade de Custos.

 

Muitos podem estar se perguntando: o que tem haver essa história estapafúrdia com o título do artigo? É porquê foi justamente por causa dessa discussão que conheci o universo da blogosfera.

 

Pois bem, depois do disse me disse do MSN supra mencionado, o amigo Marcelo informou que havia elaborado uma enquete e postado no seu BLOG, sobre nossa malfadada discussão, para comprovar quem de fato tinha razão. Devo reconhecer que ganhei de lavada do meu nobre amigo.

 

E foi, através desta brincadeira, que conheci o universo da blogosfera e passei a me interessar pelos blogs. Incialmente fazendo um blog saudosista [Naftalina Pura], depois com assuntos relacionados à minha atividade profissional [Tutor Unopar, agora Blog do Jmpsousa], chegando finalmente ao Os Invicioneiros.

 

Completado exato 1 ano de criação do Os Invicioneiros, penso que esse espaço conseguiu cumprir, em partes, os objetivos traçados. Sou muito exigente quando o assunto é blogosfera, por isso nunca estou satisfeito com o que já foi conquistado, penso sempre no que ainda pode ser conquistado.

 

O ato de blogar despertou em mim o lado escrevinhador que não conhecia, passei a ser leitor assíduo de blogs, comentarista de alguns e a compartilhar a companhia interessante de vários blogueiros.

 

Conheci muitas pessoas legais ao longo dessa caminhada, que me fizeram crescer como blogueiro, mas conheci também o lado negro desse universo, que se transfigura nos repulsivos trolls. Figuras que vagueiam blogosfera afora com o único intuito de perturbar o sossego de quem se dedica a tentar  fazer das palavras um mundo diferente.

 

Os blogs possuem a característica peculiar de pessoalidade, sabemos que muitos dos que militam na blogosfera, o fazem por puro gosto e prazer, sem qualquer preocupação com as vantagens ou ganhos financeiros que essa atividade possa proporcionar. Muito embora a conciliação de prazer e dinheiro, seja atraente, a busca por ofertar e receber conhecimento vai muito além disso.

 

Vejo o blog como uma ferramenta que democratizou a produção de informação e a visibilidade. A internet já proporcionava isso, mas foi o surgimento de um recurso acessível, que qualquer pessoa pudesse usar mesmo sem saber de programação, que permitiu a divulgação de um imenso conteúdo na Web. Claro, vem muito lixo junto. Porém, o joio se separa do trigo naturalmente, pela própria dinâmica do meio. É por isso que o blog não se sustenta em si mesmo como ferramenta. É preciso existir uma motivação para escrevê-lo, um posicionamento claro para que os leitores saibam o que vão encontrar ali e uma regularidade para mantê-lo. [Adriana Baggio]

 

O fato de ter um espaço seu, de poder compartilhar as ideias, opiniões e receber feedback dos leitores e amigos, é algo que só a blogosfera pode proporcionar. Por isso, embora ainda não obtenha ganhos financeiros com esse espaço, considero que só o fato de poder compartilhar experiências e interagir com as pessoas, já proporciona uma alegria inestimável para este escriba.

 

Os blogs viraram outra coisa. Não são mais um espaço inocente para anônimos exercitarem seus dotes. Blogs são um espaço de escrita (na expressão de um pesquisador americano, o J. D. Bolter) importante entre as possibilidades de expressão e publicação de algumas gerações Web. Não apenas esta mais jovem ou uma cheia de apelidos, mas para todas as que se aventurarem pela abertura de um caderno, uma agenda, um diário, um jornal ou simplesmente um sítio digital com características pessoais. Só que, hoje, com muito mais vizinhos.  [Ana Elisa Ribeiro]

 

Quanto a blogar, entendo ser um vício gratificante para quem possui como atração principal o dinamismo e o compartilhamento do conteúdo. Um blogueiro nunca pode perder de vista que o foco principal sempre será a própria satisfação e a sua liberdade de expressão. Quando deixamos de fazer o que gostamos para nos render ao que dita a tendência ou interesses, passamos a ser escravos e nos tornamos iguais aos grandes sites que produzem conteúdo, mas não compartilham a alma.

 

Um blog só é sucesso quando nele o autor expressa sua própria identidade, quanto ele se preocupa mais com o ser do que com o ter. Não fica apegado à neura e a obsessão de ditar tendências, ser referência, ou ser o melhor, mas em fazer bem feito aquilo que se propôs a fazer, com dedicação e persistência.

 

Passados alguns anos da minha vivência na blogosfera, posso dizer que sou um blogueiro feliz, não porque tenho muito sucesso e inúmeros leitores, mas porque os poucos que me acompanham, levam conteúdo e trazem experiências, que são muito mais importantes do que  números. Não me considero bom no que faço, no entanto parece bom, pois as pessoas  compartilham bem os esboços de ideias. Nesse 1 ano de espaço, prefiro exaltar quem de fato merece: Um viva a meus persistentes leitores!

 

Em tempo: o blog do amigo Marcelo infelizmente não existe mais, mas foi o grande responsável por meu debute na blogosfera. Saibam que a culpa é dele.

 

Sobre o Autor:
José Márcio

José Márcio - Editor Chefe dos Invicioneiros, Apaixonado por Música, informática, Twitter, Blogs e Futebol! Saudosista dos anos 80.

Aura

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

 
Hoje meu pai completaria 92 anos। Ele se foi há algum tempo, mas como todas as pessoas inesquecíveis, ficou presente na memória de todos os que o conheceram। Esse post pode, a princípio, parecer descaracterizado para esse blog. Entretanto, lembro que somos “Os Invicioneiros”. A palavra “invicioneiro” não está no Houaiss, nem no Aurélio, nem no Aulete. É típica de nossa região e designa aquelas pessoas que têm muita “invicção” (palavra que não existe no Houaiss, mais que no Aulete é um substantivo feminino, típica de Trás-os-Montes, do latim “Invictus”, que significa “entusiasmo; paixão” ou ainda “Pertinácia”). A grafia mantém o “C” mudo, mesmo após a reforma ortográfica, porque lá nas terras lusitanas, na verdade, ele é pronunciado. Na nossa região, “invicção” é pronunciada como “invição” e refere-se à vontade de obter algo e, mais especificamente, no caso do futebol, a de tentar fazer um gol, mesmo que haja um companheiro mais bem posicionado para finalizar.
 
Mas, voltando ao assunto inicial desse post, falar de meu pai é ser um invicioneiro. É como falar de muitos pais e de muitas pessoas queridas para qualquer um que esteja lendo essa publicação. Nunca as esquecemos pelos referenciais de vida que nos deixam, quer os sigamos ou não. Meu pai era industriário e eletricista e trabalhou a vida toda em uma só empresa, a Cedro Têxtil, por 53 anos e uns quebrados. Eu sou industriário e trabalho na mesma Cedro Têxtil em que meu pai trabalhou já faz 27 anos. Em paralelo, sou professor e leciono há 24 anos.
 

Tenho orgulho das minhas profissões, como meu pai. Adoro minha família e procuro estar a todo momento com meus irmãos, amigos, filhos e esposa o tempo todo, como meu pai. Gosto das músicas de que meu pai gostava, torço pelo mesmo time, o glorioso Clube Atlético Mineiro, o meu Galo. Adoro Folia de Reis, Pastorinhas e todas as manifestações tradicionais de minha região, como meu pai. Sou apaixonado pela leitura e pelo teatro, como meu pai. Enfim, existe uma grande intersecção entre o que meu pai gostava e o que eu gosto.

Creio na vida eterna, como cristão. Se fosse cético, ainda acreditaria nisso, pois as pessoas se perpetuam através da memória que deixam. Meu pai tinha uma espécie de aura que o cercava. Ele será eterno em minha memória e na de meus filhos, irmãos e de todos que o conheceram e foram seus amigos. Minha meta de vida é me eternizar como ele e ser lembrado não pelo que tive, mas por quem fui...


“Aura”


Fecho os olhos na escuridão da noite
E lembro-me dos caminhos percorridos...
Meu pai faria noventa e dois anos hoje
Nenhuma dor foi inútil, nenhuma lágrima
Tudo o que sofri valeu-me, e como...
Abro os olhos na escuridão da noite,
Levo meu pensamento para além de mim.
Lembro-me do meu pai que se foi
Mas deixou-me paradigmas que procurarei seguir
Estas palavras não são mais minhas
Pois estou repleto de mim mesmo.
Devo agora transbordar...
Eu rio riacho córrego ribeirão
Transbordo as águas da emoção
Fecho os olhos na noite escuridão
E abro agora o meu coração
Para cada lágrima um sorriso
Para cada suspiro de dor
Suspiro agora o amor
Que me rodeia como uma aura
Tudo o que sofri valeu-me, e como!...
Meu pai está fazendo noventa e dois anos hoje
Vejo agora seu rosto, sorriso e suas mãos abertas
Nenhuma dor foi inútil, nenhuma
Fecho os olhos nesta escura noite
E durmo...
 
The_EDN[2] The EDN, sou industriário, trabalho há 27 anos na Cedro (indústria têxtil centenária de Caetanópolis, MG) e atuo como professor há 24 anos em escolas particulares e públicas.