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Quando Dois e Dois São Cinco

quarta-feira, 10 de junho de 2015

 

 

 

Finalmente o Supremo Tribunal Federal “resolveu” a polêmica envolvendo as tais “biografias não autorizadas” de celebridades, cuja ação foi iniciada pelo cantor Roberto Carlos, que se posicionou contrário à liberação de tais biografias. No outro lado da lide, havia o interesse da imprensa e dos biógrafos, defensores destes tipos de biografia e que entendem que a não liberação configuraria uma censura prévia às mesmas.

 

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Sem adentrar no mérito, eu inicialmente escrevi a palavra “resolveu” entre aspas porque, na minha opinião, o STF “jogou para a torcida”, ou melhor, fez “uma média” descarada com a imprensa e os biógrafos.

 

Em nome do “fim da censura”, a mais alta Corte de Justiça Brasileira decidiu, de forma unânime (lembrou alguma frase de Nelson Rodrigues?), que qualquer um pode escrever e publicar um livro sobre a vida do outro, ainda que este não concorde, em detrimento das liberdades e garantias individuais asseguradas pela “Constituição Cidadã”. A vida pública não pode ser confundida com a vida privada, o que muitas vezes acontece nestes tipos de biografia.

 

Tal decisão do STF, a meu ver, só atende aos interesses de certos biógrafos oportunistas, que vivem às custas da vida dos outros. Por outro lado, é evidente que havia o temor por parte dos ministros da Suprema Corte em verem os seus rostos estampados nas capas das Vejas e Épocas da vida, ao lado de verbetes do tipo “censura”, “obscurantismo”, etc.. Ainda mais depois que assistiram aos ícones Chico Buarque de Holanda e Roberto Carlos serem massacrados pela imprensa, em razão das suas posições contrárias à liberação de biografias não autorizadas…

 

Claro que quem sou eu para discutir alguma decisão do STF. Mas o que me incomoda é que o “Guardião da Constituição”, já há algum tempo, deixou de sê-lo. Já não vimos mais aquele STF corajoso de outrora (ainda que polêmico), que enfrentava a opinião pública em nome dos princípios e direitos constitucionalmente garantidos. O Pretório Excelso de hoje, parece manietado pelos grandes grupos de comunicação do Brasil.

 

E eu que sempre achei que as tais “biografias não autorizadas” não passavam de jogadas de marketing para render milhões aos biógrafos e às editoras, pude perceber, pelas manifestações de Chico Buarque e de Roberto Carlos, que o buraco é bem mais embaixo quando se trata de ter as suas vidas íntima e familiar devassadas e expostas em livros para a posteridade que, não podem sequer ser chamados de biografias, por se limitar apenas aos boatos, fofocas e mentiras. Creio que deveria haver uma limitação ética para isso.

 

E o que é ético, não é censurável!

 

O jornalista Geneton Moraes Neto conseguiu deixar Voltaire enrubescido de vergonha com a sua crônica no G1 (site pertencente à Rede Globo de Televisão - ex-fiadora da Ditadura Militar) intitulada “Roberto Carlos Estava Certo - Como Dois e Dois São Cinco”, ao atacar pessoalmente Roberto Carlos e o seu advogado, por defenderem ideias contrárias à liberação das fatídicas biografias não autorizadas. Soa muito paradoxal um jornalista falar em defesa da liberdade de expressão, atacando a liberdade de expressão alheia…

Detalhe: o nobre jornalista Geneton também é um biógrafo...

 

Para finalizar, vale uma reflexão: Jesus, o Cristo, teve quatro biógrafos e ainda assim, acabou crucificado...

 

Sobre o Autor:
Harley Coqueiro

Harley Coqueiro - Advogado e Jornalista. Chargista e Cronista da Folha de Paraopeba. Fã de Beatles, de thrillers policiais e da boa comida mineira.

Filosofia Para as Massas

terça-feira, 15 de abril de 2014



Um professor do ensino médio de uma escola do Distrito Federal causou controvérsia ao apresentar uma questão mencionando a cantora de funk carioca Valesca Popozuda como “grande pensadora contemporânea” numa prova de filosofia.

Prova_Popozuda

Segundo Antônio Kubitschek, o responsável pela prova, a ideia da pergunta surgiu a partir de um debate em sala de aula sobre a formação moral da sociedade e sobre a construção de seus valores. "Discutimos em sala que a escola só aparece na mídia em contextos ruins. Há vinte dias fizemos uma exposição de fotos e nenhum veículo de comunicação deu atenção. Então eu decidi colocar uma questão como essa na prova, esperando a repercussão nas redes sociais e na imprensa.".

Lecionando há quase vinte anos na rede pública, o mestre defendeu a forma como se referiu à funkeira. "É um fato engraçado. Se eu tivesse colocado Chico Buarque como grande pensador contemporâneo, não geraria polêmica nenhuma! Mas a partir do momento em que a Valesca traz uma música e a imprensa diz que 'fulano de tal deu um beijinho no ombro', ela está passando um conceito. Se a gente pegar uma corrente filosófica de que todo mundo pode ser um pensador desde que consiga criar um conceito – e aí vêm os filósofos franceses, então eu acho que a Valesca é, sim, uma pensadora!", justificou o professor, que usou o termo "grande pensadora contemporânea" sem aspas na prova, por ter a convicção de que a funkeira exerce influência sobre a sociedade. "Ela acabou criando um conceito. Se ela influencia a sociedade com o que ela pensa, eu a considero, sim, uma pensadora.".

E com isso o professor alcançou o seu intento. Fez os fins justificarem os meios, e, ainda que tenha “forçado a barra” com o enunciado da questão, conseguiu provar para os seus alunos como a mídia e a internet são ferramentas poderosas na sociedade, e o quanto essa mesma sociedade se encontra dominada por aquelas, a ponto de se ver influenciada por uma artista de um gênero musical tido como tosco e maldito.

A meu ver, muito além de se reconhecer a cantora como pensadora ou não – ainda mais em nosso país que, paradoxalmente, orgulhamo-nos das conquistas no futebol mas não temos um Prêmio Nobel sequer – percebe-se o quanto o preconceito e o recalque já fizeram metástase em nossas almas. Tivesse a cantora nascido na Zona Sul e frequentado as escolas mais tradicionais do Rio, a questão da prova, certamente, teria passado em branco. Mas não, a pensadora em questão é mulher, favelada, funkeira, desbocada e jamais pertencerá à “elite cultural brasileira”.

O amigo Antônio Souza observou bem: “Pelo jeito, o tal professor conseguiu mostrar ao mundo o que é filosofar atingindo todos os públicos. Não se filosofa só com a parede.”

Muitos acusarão o professor candango de banalizar o ensino de filosofia. Mas ele foi suficientemente corajoso ao, involuntariamente (ou não), iniciar um processo de “deselitização” da filosofia (perdoem o neologismo!). O docente está desembrulhando a filosofia de seu invólucro de papel alumínio dourado e está para servi-la numa “quentinha” bem temperada para as massas, tornando-a mais palpável, mais acessível, menos abstrata e menos maçante.

Por outro lado, nunca ouvi uma música da Valesca. Mas toda a discussão e muitos comentários que li nas redes sociais chegam a assustar. O Brasil dá indícios de estar caminhando a passos largos para um neofascismo. Embora entenda que ninguém é obrigado a gostar de funk carioca, percebo que uma horda de fariseus tem o prazer de manifestar todo o seu radicalismo, toda a sua intolerância contra aquilo o qual não se afeiçoa, estética ou ideologicamente.

Também não sou fã do funk carioca. Mas gosto de rock, reggae, samba e de Racionais MCs que, coincidentemente ou não, são ritmos e gêneros musicais que tiveram as mesmas origens nas camadas sociais mais pobres e excluídas. E tanto quanto o seu “primo pobre carioca”, também penaram muito por serem rotulados como ritmos marginais, profanos, indecentes, demonizados, proibidos pelas elites, combatidos pelas autoridades e – talvez por tudo isso – também venerados pelas juventudes de ontem e de hoje.

E afinal: tudo o que desafia o senso comum não pode ser filosófico? Ou Sócrates foi envenenado por acaso?


Bonus Track I:




Bonus Track II:




Sobre o Autor:
Harley Coqueiro
Harley Coqueiro - Advogado e Jornalista. Chargista e Cronista da Folha de Paraopeba. Fã de Beatles, de thrillers policiais e da boa comida mineira.

A Liberdade de opinião é um Direito, não uma Obrigação

quinta-feira, 6 de junho de 2013

 
Segundo definição da Declaração Universal dos Direitos Humanos, em seu artigo 19: “Todo ser humano tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras”.

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Em tempos de profunda transformação na comunicação, onde as redes sociais ocupam lugar de  destaque, é preciso ressaltar que tal direito, é hoje, uma grande conquista para todos os cidadãos,  pois, ao exercer a sua liberdade de expressão, o indivíduo está na verdade participando ativamente do processo de redemocratização da informação. É preciso ressaltar que não somos mais reféns da rigidez, controle e direcionamento da informação. A internet rompeu essa fronteira exclusiva dos meios de comunicação em massa, como o rádio e a TV, sendo que as redes sociais e os blogs se transformaram nas molas propulsoras dessa nova realidade.
 
A informação é hoje acessível a todos os indivíduos que dela necessitam, basta alguns cliques para termos acesso ao universo de informações, das quais, não sabemos o limite. Na esteira dessa evolução, a liberdade de opinião é a expressão máxima da redemocratização da informação. Qualquer individuo, que tenha acesso aos recursos tecnológicos, pode exercer seu papel de interlocutor nesse universo de popularização da informação.
 
Como consequência dessa expansão tecnológica e redemocratização da informação, é preciso sabedoria para transformar todo esse aparato em aprendizado, fazendo com que o fácil acesso a esses dados, não seja apenas uma forma de distração ou diversão. Os recursos tecnológicos, tendo como porta-voz as redes sociais e os blogs, são ferramentas de transformação que se usadas com sabedoria, podem trazer grandes conquistas.
 
A liberdade de opinião talvez seja uma das maiores conquistas da humanidade. Essa condição nos permite não aceitar tudo passivamente, basta ver como os casos polêmicos de hoje ganham imediata repercussão nas redes sociais. Em muitos casos, é comum a alteração de posicionamento após a repercussão negativa de determinado assunto nas redes sociais.
 
A liberdade de opinião é hoje uma realidade, mas será que estamos preparados para viver essa realidade?
 
Três décadas de democracia ensinaram muito, mas ainda é preciso avançar. Começando pela ideia de que a liberdade de expressão não funciona como um guarda-chuva que abriga discriminação e intolerância. Pelo contrário. Os vários tipos de discriminação minam a conquista da liberdade ao representarem uma visão de mundo reducionista e excludente. [Luciana Andrade]
 
Penso que os avanços dos meios tecnológicos e a consequente facilidade de acesso à informação, são conquistas históricas que devem ser comemoradas, e, sobretudo, conscientemente utilizadas.
 
O uso contínuo de blogs é também parte desse processo de redemocratização da informação. Percebemos claramente que a sociedade moderna, em quase sua totalidade,  adotou a internet como um espaço aberto e propício ao fomento de debates relativos a temáticas anteriormente restritas às discussões presencial.
 
Utilizada, primeiramente pelos Estados Unidos, com finalidade bélica, a Internet passou, de mero meio de transmissão de informações a condição de local de encontro, debate e engajamento da defesa de movimentos sociais e políticos. Chegou a referido status devido, em grande parte, às facilidades oferecidas, dentre as quais se destacam a velocidade na transmissão de dados, o baixo custo e a facilidade de uso. [Letícia Bodanese Rodegheri, Noemi de Freitas Santos]
 
Porém, é preciso ressaltar que a liberdade de opinião não é uma obrigação, mas uma prerrogativa. Assim sendo, qualquer um tem o direito de dizer o que pensa, mas não é obrigado a palpitar sobre todos os assuntos, especialmente quando se trata de assuntos pelos quais a pessoa não nutre conhecimento algum. Não podemos também perder de vista que nosso direito termina onde começa o do outro, portanto, aprender a respeitar a liberdade do outro é um DEVER.
 
É preciso certa cautela no trato com a liberdade de opinião, pois, em se tratando de redes sociais e blogs, nossa personalidade é refletida através das nossas palavras, portanto somos avaliados de acordo com o que falamos.
 
A liberdade de expressão precisa ser não apenas exercida, mas ensinada nas escolas. Como se expressar de forma ética e juridicamente correta? Como manifestar sua opinião, seu direito de protesto, sua reclamação de consumidor sem que isso se transforme em um abuso de direito. O limite entre liberdade e prática de crime é bem sutil. E faz toda a diferença a escolha do texto, qual palavra será publicada para expor no mundo, em tempo real, um pensamento. [Patrícia Peck Pinheiro]

É bom que se diga que a internet não deve ser tratada como terra de ninguém onde a pessoa fala o que quer sem que haja consequências. A própria legislação brasileiro cuidou para que os chamados “crimes cibernéticos” não fiquem impunes. A Lei 12.737/2012, pretende estabelecer punições específicas para os crimes cibernéticos. Sancionada em dezembro do ano passado, a lei “Carolina Dieckmann” ficou assim conhecida devido ao vazamento de 36 fotos íntimas da atriz na internet.
 
Portanto, temos ótimas ferramentas que nos permitem exercer a plenitude da nossa liberdade de opinião. Porém todo esse aparato será inútil se não tivermos sabedoria para usá-los de forma inteligente a nosso favor. Nossa opinião deve ser balizada na retidão do caráter e como forma de exercício da cidadania Aprender a lidar com essa liberdade talvez seja o maior desafio da sociedade moderna. É importante que se diga que a liberdade de expressão não é um direito pleno. Ela sofre limitações na medida em que não pode ser exercida de maneira abusiva, ferindo os direitos alheios.
 
Sobre o Autor:
José Márcio
José Márcio - Editor Chefe dos Invicioneiros, leitor voraz e aprendiz de escritor.Tem opinião e assume os riscos Saudosista dos anos 80. E palpiteiro inveterado. Me Circule no Google+.

“O Pior Tráfico é o de Influência” e Outras Pérolas

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

 

 

 

Fim do mundo e fim de ano chegando, e eu aqui, relendo alguns “provérbios” que escrevi nas redes sociais durante esse tormentoso ano de 2012.

 

Acabei por descobrir que os grandes pensadores da Humanidade devem ter vivido muitos momentos de angústia, pois no contexto em que escrevi as frases abaixo – e longe de eu ser um “pensador” – vivi intensamente isso e cheguei à conclusão de que o comodismo é um processo letárgico, irreversível, que vai intoxicando e esclerosando os nossos espíritos...

 

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E nessa brincadeira de escrever frases, eu tive lampejos de Platão, Nietzsche, Wilde, Salomão e Dadá Maravilha – e me diverti bastante!

 

Sem delongas, selecionei, cronologicamente, 25 pérolas, das quais eu nunca tive a intenção de atirá-las aos porcos:

 


"A maldade nunca pode ser maior que a inteligência."

[Harley Coqueiro]

 

"Deus criou a mulher. O diabo, o salto alto."

[Harley Coqueiro]

 

"Sejamos flexíveis como um arco, mas firmes como um flecha, em nossas decisões."

[Harley Coqueiro]

 

"Quem teme a Deus, não precisa temer o homem."

[Harley Coqueiro]

 

“Subestimam a sua inteligência e ainda não lhe pedem desculpas!”

[Harley Coqueiro]

 

" 'Em terra de sapos, ronque como eles.' Mas eu não sou sapo!"

[Harley Coqueiro]

 

“Fique atento a cada gesto e a cada olhar:
pode ser que alguém esteja pedindo-lhe socorro
e você nem está percebendo...”
[Harley Coqueiro]

 

“Oh Senhor, não permita que a maldade continue a se disfarçar de justiça!”

[Harley Coqueiro]

 

"Não confie em alguns trompetistas... Alguns só agem na surdina!"

[Harley Coqueiro]

 

"O pior tráfico é o de influência."

[Harley Coqueiro]

 

"Às vezes é preferível mais sorte que juízo!"

[Harley Coqueiro]

 

"O pior chato é o chato com tempo!"

[Harley Coqueiro]

 

“De todas as certezas, a pior é a da impunidade.”

[Harley Coqueiro]

 

"O radicalismo é um sinal de tirania."

[Harley Coqueiro]

 

"A vida é uma estrada que nós seguimos sem saber onde e quando termina..."

[Harley Coqueiro]

 

"Amem e Amém..."

[Harley Coqueiro]

 

"O que tem de ser elevado é o espírito e não o tom de voz..."

[Harley Coqueiro]

 

"A principal característica de pessoas descoladas: não serem grudentas..."

[Harley Coqueiro]

 

"O tolo não distingue a bajulação da amizade."

[Harley Coqueiro]

 

"Perdi a fé... Mas não a esperança!"

[Harley Coqueiro]

 

"Três coisas que jamais poderiam ser vendidas: a alma, a honra e o voto."

[Harley Coqueiro]

 

"Eu estava em cima do muro até na hora em que ele desabou

e não restou pedra sobre pedra..."

[Harley Coqueiro]

 

"Especulo, logo existo."

[Harley Coqueiro]

 

"A diferença entre o torcedor e o eleitor, é que aquele não tem memória curta..."

[Harley Coqueiro]

 

"A Justiça tem algo em comum com a Política:

é um erro quando praticada com o fígado..."

[Harley Coqueiro]

 

 

 

Bonus Track:

 

“O comodismo é o caixão de nossas almas…”

[Harley Coqueiro]

 

 

 

* © Todas as frases acima podem ser utilizadas livremente, desde que citado o nome do autor.

 

 

Sobre o Autor:
Harley Coqueiro

Harley Coqueiro - Advogado e Jornalista. Chargista e Cronista da Folha de Paraopeba. Fã de Beatles, de thrillers policiais e da boa comida mineira.

Lembrança de um garoto quase antigo

sexta-feira, 4 de maio de 2012

 
Tive a deliciosa oportunidade de conversar hoje com minha amadíssima irmã e madrinha Dinha (ficam invejosos meus irmãos por ela ser minha madrinha e não deles, embora quase todos a chamem assim e não pelo nome de Teresa). Casos deliciosos do passado (quando digo "deliciosos" é porque a maioria deles tem sabor de verdade, sempre recheados de pratos que fizeram parte de nossas vidas).
 
 
 
Minha madrinha sempre me proporciona uma sensação de amor e carinho que me evoca a minha mãe, uma aura que transcende o que as palavras desse breve post podem transmitir. Hoje falamos de pai Tião, de mãe Raimunda, de irmãos e filhos, de sobrinhos e tios, de exemplos, de alegrias e tristezas. Falamos de sabores de pastéis e quitandas, de frutas do quintal e de viagens. Aliás, minha madrinha vai viajar. Vai realizar um sonho de infância: ir a Paris. Ela, que nunca se esqueceu de dar um presentinho a seus afilhados (mais inveja!), ganhou de uma afilhada uma viagem a Paris.
 
 
Já brincava com ela hoje para se inteirar dos falares breves da sonora língua de Piaf e Aznavour, principalmente do tradicional "Je ne sais pas le français". Mas vale a pena também o "Merci beaucoup", principalmente se tiver a oportunidade de provar os deliciosos pratos da culinária francesa. Embora, sabemos nós, mineiros, principalmente, que nossa culinária é muito mais interessante, mesmo menos famosa.
 
 
Mas dizia eu do prazer em estar com minha irmã Dinha que, muito em breve, se Deus quiser, fixará residência em Caetanópolis... Conversar com ela é uma oportunidade de aprendizado de vida, ao recapitular histórias que só ela, minha irmã mais antiga, tem para contar. Detalhes da vida de meus pais e tios que me fazem orgulhoso de fazer parte de minha família e que me ajudam a entender a minha própria história.
 
 
Meu tempo não é muito, por isso não posso me estender. Espero ter em breve a oportunidade de escrever algumas dessas histórias neste espaço ou no meu Poetopias, especialmente para falar de um garoto quase antigo que mora aqui dentro de mim. Esse garoto ainda vibra e deixa a lágrima escorrer diante da emoção de ser gente, de sentir-se humano diante dessa vida tão atribulada.
 
 
Minha madrinha vai viajar a Paris e realizar um sonho. Vejo-a feliz diante disso e percebo que os sonhos são simplesmente essenciais, com o perdão da aliteração e da assonância, movido pela ânsia de escrever rápido enquanto o tempo passa e devassa o lirismo. Não sei se escrevo agora versos ou se aquilo que já disse representa o quanto quis dizer. Os sonhos são essenciais... E na lembrança desse garoto quase antigo está presente ainda a de um sonho que se repete nas histórias que ouve e conta vida afora.
 
 
Deixo para minha madrinha todo o meu amor e carinho e o pedido de bênção nesse post, ela que tem me abençoado desde que nasci, incorporando verdadeiramente o conceito de madrinha, de pequena mãe, de uma Mãe Dinha. Para ela, flores lindas...
 
 
 

Sobre o Autor:
The EDN

The EDN - sou industriário, trabalho há 27 anos na Cedro (indústria têxtil centenária de Caetanópolis, MG) e atuo como professor há 24 anos em escolas particulares e públicas

Cesária Évora - Mar é morada da saudade

sábado, 17 de dezembro de 2011

 
    
Sei agora da morte de Cesária Évora. Sei-me instantaneamente triste. Sequer reconheço o que escrever. Cesária era mais que Évora para mim. Um símbolo imprescindível da música negra que transcende o orgulho e a pretensão brasileira. Sou brasileiríssimo, mas Cesária era uma amostra de onde viemos, da negritude orgulhosa da África mãe sofredora. Não tenho palavras... Não tenho mesmo o que dizer. Reproduzirei apenas os mestres. Que eles digam o que sofro com a morte de Cesária... Que alguém leia o que escrevi e entenda a importância que essa mulher teve para toda a lusofonia. Respeito profundamente as mortes concomitantes de Joãosinho Trinta e de Sérgio Brito. Mas meu objeto maior de respeito hoje é dessa mulher que defendeu seu país e toda a diversidade lusófona tão apaixonadamente. Tornou-se mito...
 


Para rimar e homenagear, ouso, mesmo com rimas longínquas, como nosso respeito e conhecimento por alguém tão importante:

Passou agora Joãosinho Trinta
Passou também o Sérgio Brito
Passou o teatro e o carnaval
Mas passou alguém mais além
Que muitos podem achar ninguém
Cesária Évora nunca foi a tal
Mas há hoje quem ainda a sinta
Cesária Évora foi um mito...



Vozes d'África
(Castro Alves)


Deus! ó Deus! onde estás que não respondes?
Em que mundo, em qu'estrela tu t'escondes
Embuçado nos céus?
Há dois mil anos te mandei meu grito,
Que embalde desde então corre o infinito...
Onde estás, Senhor Deus?...

Qual Prometeu tu me amarraste um dia
Do deserto na rubra penedia
- Infinito: galé! ...
Por abutre - me deste o sol candente,
E a terra de Suez - foi a corrente

Que me ligaste ao pé...

O cavalo estafado do Beduíno
Sob a vergasta tomba ressupino
E morre no areal.

Minha garupa sangra, a dor poreja,
Quando o chicote do simoun dardeja
O teu braço eternal.
Minhas irmãs são belas, são ditosas...
Dorme a Ásia nas sombras voluptuosas
Dos haréns do Sultão.
Ou no dorso dos brancos elefantes
Embala-se coberta de brilhantes
Nas plagas do Hindustão.

Por tenda tem os cimos do Himalaia...
Ganges amoroso beija a praia
Coberta de corais ...
A brisa de Misora o céu inflama;
E ela dorme nos templos do Deus Brama,
- Pagodes colossais...

A Europa é sempre Europa, a gloriosa! ...
A mulher deslumbrante e caprichosa,
Rainha e cortesã.
Artista - corta o mármor de Carrara;
Poetisa - tange os hinos de Ferrara,
No glorioso afã! ...

Sempre a láurea lhe cabe no litígio...
Ora uma c'roa, ora o barrete frígio
Enflora-lhe a cerviz.
Universo após ela - doudo amante
Segue cativo o passo delirante
Da grande meretriz.

Mas eu, Senhor!... Eu triste abandonada
Em meio das areias esgarrada,
Perdida marcho em vão!
Se choro... bebe o pranto a areia ardente;
talvez... p'ra que meu pranto, ó Deus clemente!
Não descubras no chão...
E nem tenho uma sombra de floresta...
Para cobrir-me nem um templo resta
No solo abrasador...

Quando subo às Pirâmides do Egito
Embalde aos quatro céus chorando grito:
"Abriga-me, Senhor!..."
Como o profeta em cinza a fronte envolve,
Velo a cabeça no areal que volve
O siroco feroz...
Quando eu passo no Saara amortalhada...
Ai! dizem: "Lá vai África embuçada
No seu branco albornoz. . . "

Nem veem que o deserto é meu sudário,
Que o silêncio campeia solitário
Por sobre o peito meu.
Lá no solo onde o cardo apenas medra
Boceja a Esfinge colossal de pedra
Fitando o morno céu.

De Tebas nas colunas derrocadas
As cegonhas espiam debruçadas
O horizonte sem fim ...
Onde branqueia a caravana errante,
E o camelo monótono, arquejante
Que desce de Efraim.

Não basta inda de dor, ó Deus terrível?!
É, pois, teu peito eterno, inexaurível
De vingança e rancor?...
E que é que fiz, Senhor? que torvo crime
Eu cometi jamais que assim me oprime
Teu gládio vingador?!

Foi depois do dilúvio... um viadante,
Negro, sombrio, pálido, arquejante,
Descia do Arará...
E eu disse ao peregrino fulminado:
"Cão! ... serás meu esposo bem-amado...
- Serei tua Eloá. . . "

Desde este dia o vento da desgraça
Por meus cabelos ululando passa
O anátema cruel.
As tribos erram do areal nas vagas,
E o Nômada faminto corta as plagas
No rápido corcel.
Vi a ciência desertar do Egito...
Vi meu povo seguir - Judeu maldito -
Trilho de perdição.
Depois vi minha prole desgraçada
Pelas garras d'Europa - arrebatada -
Amestrado falcão! ...

Cristo! embalde morreste sobre um monte
Teu sangue não lavou de minha fronte
A mancha original.
Ainda hoje são, por fado adverso,
Meus filhos - alimária do universo,
Eu - pasto universal...

Hoje em meu sangue a América se nutre
Condor que transformara-se em abutre,
Ave da escravidão,
Ela juntou-se às mais... irmã traidora
Qual de José os vis irmãos outrora
Venderam seu irmão.

Basta, Senhor! De teu potente braço
Role através dos astros e do espaço

Perdão p'ra os crimes meus!
Há dois mil anos eu soluço um grito...
escuta o brado meu lá no infinito,
Meu Deus! Senhor, meu Deus!!...






Navio Negreiro
(Castro Alves)



I

'Stamos em pleno mar... Doudo no espaço
Brinca o luar — dourada borboleta;
E as vagas após ele correm... cansam
Como turba de infantes inquieta.

'Stamos em pleno mar... Do firmamento
Os astros saltam como espumas de ouro...
O mar em troca acende as ardentias,
— Constelações do líquido tesouro...

'Stamos em pleno mar... Dois infinitos
Ali se estreitam num abraço insano,
Azuis, dourados, plácidos, sublimes...
Qual dos dous é o céu? qual o oceano?...

'Stamos em pleno mar. . . Abrindo as velas
Ao quente arfar das virações marinhas,
Veleiro brigue corre à flor dos mares,
Como roçam na vaga as andorinhas...

Donde vem? onde vai? Das naus errantes
Quem sabe o rumo se é tão grande o espaço?
Neste saara os corcéis o pó levantam,
Galopam, voam, mas não deixam traço.

Bem feliz quem ali pode nest'hora
Sentir deste painel a majestade!
Embaixo — o mar em cima — o firmamento...
E no mar e no céu — a imensidade!


Oh! que doce harmonia traz-me a brisa!
Que música suave ao longe soa!
Meu Deus! como é sublime um canto ardente
Pelas vagas sem fim boiando à toa!

Homens do mar! ó rudes marinheiros,
Tostados pelo sol dos quatro mundos!
Crianças que a procela acalentara
No berço destes pélagos profundos!

Esperai! esperai! deixai que eu beba
Esta selvagem, livre poesia
Orquestra — é o mar, que ruge pela proa,
E o vento, que nas cordas assobia...

..........................................................


Por que foges assim, barco ligeiro?
Por que foges do pávido poeta?
Oh! quem me dera acompanhar-te a esteira
Que semelha no mar — doudo cometa!

Albatroz! Albatroz! águia do oceano,
Tu que dormes das nuvens entre as gazas,
Sacode as penas, Leviathan do espaço,
Albatroz! Albatroz! dá-me estas asas.

II

Que importa do nauta o berço,
Donde é filho, qual seu lar?
Ama a cadência do verso
Que lhe ensina o velho mar!

Cantai! que a morte é divina!
Resvala o brigue à bolina
Como golfinho veloz.
Presa ao mastro da mezena

Saudosa bandeira acena
As vagas que deixa após.
Do Espanhol as cantilenas
Requebradas de langor,

Lembram as moças morenas,
As andaluzas em flor!
Da Itália o filho indolente

Canta Veneza dormente,
— Terra de amor e traição,
Ou do golfo no regaço
Relembra os versos de Tasso,
Junto às lavas do vulcão!

O Inglês — marinheiro frio,
Que ao nascer no mar se achou,

(Porque a Inglaterra é um navio,
Que Deus na Mancha ancorou),

Rijo entoa pátrias glórias,
Lembrando, orgulhoso, histórias
De Nelson e de Aboukir.. .
O Francês — predestinado —
Canta os louros do passado
E os loureiros do porvir!

Os marinheiros Helenos,
Que a vaga jônia criou,
Belos piratas morenos
Do mar que Ulisses cortou,
Homens que Fídias talhara,
Vão cantando em noite clara
Versos que Homero gemeu ...
Nautas de todas as plagas,
Vós sabeis achar nas vagas
As melodias do céu! ...

III


Desce do espaço imenso, ó águia do oceano!
Desce mais ... inda mais... não pode olhar humano
Como o teu mergulhar no brigue voador!
Mas que vejo eu aí... Que quadro d'amarguras!
É canto funeral! ... Que tétricas figuras! ...
Que cena infame e vil... Meu Deus! Meu Deus! Que horror!

IV

Era um sonho dantesco... o tombadilho
Que das luzernas avermelha o brilho.
Em sangue a se banhar.

Tinir de ferros... estalar de açoite...
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar...
Negras mulheres, suspendendo às tetas
Magras crianças, cujas bocas pretas
Rega o sangue das mães:
Outras moças, mas nuas e espantadas,
No turbilhão de espectros arrastadas,
Em ânsia e mágoa vãs!

E ri-se a orquestra irônica, estridente...
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais ...
Se o velho arqueja, se no chão resvala,
Ouvem-se gritos... o chicote estala.
E voam mais e mais...
Presa nos elos de uma só cadeia,
A multidão faminta cambaleia,
E chora e dança ali!
Um de raiva delira, outro enlouquece,
Outro, que martírios embrutece,
Cantando, geme e ri!

No entanto o capitão manda a manobra,
E após fitando o céu que se desdobra,
Tão puro sobre o mar,
Diz do fumo entre os densos nevoeiros:
"Vibrai rijo o chicote, marinheiros!
Fazei-os mais dançar!..."
E ri-se a orquestra irônica, estridente. . .
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais...
Qual um sonho dantesco as sombras voam!...
Gritos, ais, maldições, preces ressoam!
E ri-se Satanás!...

V


Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!

Se é loucura... se é verdade
Tanto horror perante os céus?!
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
De teu manto este borrão?...
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão!

Quem são estes desgraçados
Que não encontram em vós
Mais que o rir calmo da turba
Que excita a fúria do algoz?
Quem são? Se a estrela se cala,
Se a vaga à pressa resvala
Como um cúmplice fugaz,
Perante a noite confusa...
Dize-o tu, severa Musa,
Musa libérrima, audaz!...

São os filhos do deserto,
Onde a terra esposa a luz.
Onde vive em campo aberto
A tribo dos homens nus...
São os guerreiros ousados
Que com os tigres mosqueados
Combatem na solidão.
Ontem simples, fortes, bravos.

Hoje míseros escravos,
Sem luz, sem ar, sem razão. . .

São mulheres desgraçadas,
Como Agar o foi também.
Que sedentas, alquebradas,
De longe... bem longe vêm...
Trazendo com tíbios passos,
Filhos e algemas nos braços,
N'alma — lágrimas e fel...
Como Agar sofrendo tanto,
Que nem o leite de pranto
Têm que dar para Ismael.

Lá nas areias infindas,
Das palmeiras no país,
Nasceram crianças lindas,
Viveram moças gentis...
Passa um dia a caravana,
Quando a virgem na cabana
Cisma da noite nos véus ...

... Adeus, ó choça do monte,
... Adeus, palmeiras da fonte!...
... Adeus, amores... adeus!...

Depois, o areal extenso...

Depois, o oceano de pó.
Depois no horizonte imenso
Desertos... desertos só...
E a fome, o cansaço, a sede...
Ai! quanto infeliz que cede,
E cai p'ra não mais s'erguer!...
Vaga um lugar na cadeia,
Mas o chacal sobre a areia
Acha um corpo que roer.


Ontem a Serra Leoa,
A guerra, a caça ao leão,
O sono dormido à toa
Sob as tendas d'amplidão!
Hoje... o porão negro, fundo,
Infecto, apertado, imundo,
Tendo a peste por jaguar...
E o sono sempre cortado
Pelo arranco de um finado,
E o baque de um corpo ao mar...

Ontem plena liberdade,
A vontade por poder...
Hoje... cúm'lo de maldade,
Nem são livres p'ra morrer. . .
Prende-os a mesma corrente
— Férrea, lúgubre serpente —
Nas roscas da escravidão.
E assim zombando da morte,
Dança a lúgubre coorte 
Ao som do açoute... Irrisão!... 

Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus,
Se eu deliro... ou se é verdade
Tanto horror perante os céus?!...
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
Do teu manto este borrão?
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão! ...

VI
Existe um povo que a bandeira empresta
P'ra cobrir tanta infâmia e cobardia!...
E deixa-a transformar-se nessa festa
Em manto impuro de bacante fria!...
Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta,
Que impudente na gávea tripudia?
Siêncio. Musa... chora, e chora tanto
Que o pavilhão se lave no teu pranto! ...
Auriiverde pendão de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra
E as promessas divinas da esperança...
Tu que, da liberdade após a guerra,
Foste hasteado dos heróis na lança
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha!...
Fatalidade atroz que a mente esmaga!
Extingue nesta hora o brigue imundo
O trilho que Colombo abriu nas vagas,
Como um íris no pélago profundo!
Mas é infâmia demais! ... Da etérea plaga
Levantai-vos, heróis do Novo Mundo!
Andrada! arranca esse pendão dos ares!
Colombo! fecha a porta dos teus mares!

*****************

Não quero tornar esse post tão longo que seja ilegível... Termino com uma letra de música de Cesária Évora que todos deviam conhecer. Coloco letra e versão, pois o que ela canta é um dialeto de Cabo Verde, sua terra natal. Um dia voltarei a tratar dessa lenda, mais respeitosamente, antes de ter bebido as seis Bohemias que hoje me acompanham nesse post.



Mar e morada de sodade
Num tardinha na camba di sol
Mi t'andá na pr'aia de Nantasqued
Lembra'n praia di Furna Sodade
frontán 'm tchorá Mar é morada di sodade
El ta separá-no pa terra longe
El ta separá-no d'nôs mâe, nós amigo
Sem certeza di torná encontrá
M'pensá na nha vida mi só
Sem ninguem di fé, perto di mim
Pa st'odjá quês ondas ta 'squebrá di mansinho
Ta trazé-me um dor di sentimento

O mar é a morada da saudade

Na tardinha, ao pôr do Sol
Estendido na praia de Nantasqued
Lembro a praia de Furna
A saudade faz-me chorar
O mar é a morada da saudade
É ele que nos leva para terras distantes
Ele separa-nos da nossa mãe,
Dos nossos amigos
Sem certeza de os tornar a ver
A pensar na minha vida tão só
Sem ninguém de confiança perto da mim
Olhando as ondas a rebentar de mansinho
Que me trazem um sentimento de dor


*****************


Sobre o Autor:
The EDN

The EDN - sou industriário, trabalho há 27 anos na Cedro (indústria têxtil centenária de Caetanópolis, MG) e atuo como professor há 24 anos em escolas particulares e públicas

Novembro

segunda-feira, 24 de outubro de 2011


Escrevo este post com um certo receio. Depois de um certo tempo sem contribuir para o espaço invicioneiro (que, aliás, não sentiu nem um pouco minha falta, como sempre abrilhantado pelos seus mestres criadores e eternos mantenedores Zé Márcio e Harley Coqueiro), não sei o que escrever.

 

Neste novembro, estou de férias, feliz junto a minha família, viajei para o litoral (Guarapari) depois de 20 anos, brindando meus filhos com a oportunidade de conhecer o mar. Poderia falar dessa viagem neste post. Mas não sei se o faço.

 

Neste novembro, Steve Jobs nos deixou e isso é algo importante. O fato de estar postando algo neste espaço invicioneiro muito se deve a ele. Mas depois de tudo o que já se falou a respeito de sua morte e de sua vida (o que é muito mais importante), inclusive com uma biografia “autorizada”, não quero ser repetitivo e não escreverei sobre isso.

 

Neste novembro, após 25 anos lecionando, constatei a presença indesejável de nódulos nas pregas vocais, o que me obrigará a um acompanhamento otorrinolaringológico e várias sessões com um fonoaudiólogo. Mas não sei se escrevo a respeito.

 

Muitas outras coisas ocorreram neste novembro de que eu poderia falar nesse post. Mas o que me motiva agora é apenas a oportunidade de retornar a esse espaço. Retorno tímido, paradoxalmente cabisbaixo e de olhar atento para a luz que brilhou nesta segunda-feira, depois de vários dias chuvosos e frios.




**************************



A chuva fria e soturna deste novembro


Aqueço-me sob o cobertor
Sinto-me ao mesmo tempo apreensivo e sereno
Neste paradoxo que costumeiramente me encaixo


Considero-me ainda sonhador
Escrevendo em tercetos meu verso livre e pleno
Olhando para cima sempre e às vezes para baixo


Não busco a rima fácil simplesmente
As palavras comandam meus dedos que digitam freneticamente
E os advérbios surgem para compor pauperrimamente
O encadeamento deste quarteto fora de contexto


Mais um terceto vou escrever
Não sei se alguém terá tempo ou disposição para ler
Retorno ao espaço virtual sem muito brilho, eu sei disso...


Três ou quatro versos não revelam esse rebuliço
De emoções dentro de mim... Saio da cama pois já não durmo
E quero sair um pouco para curtir o sol que me faz sonhar


Desço as escadas para chegar ao alto
Abro as janelas da torre e fico olhando
A chuva fria e soturna deste novembro...
 
**************

 

A chuva fria e fina costuma trazer para as pessoas momentos de introspecção. Pode ser coincidência, mas enquanto eu redijo este post, ouço agora “Pensando nela”, pelo excelente Roupa Nova (gravada originalmente pelos Golden Boys).

 

 
Para finalizar, deixo aqui as palavras parafraseadas do grande poeta Ferreira Gullar, que relaciona a poesia como uma luz, mas não qualquer luzinha não...
 

“Pretendo que a poesia tenha a virtude de, em meio ao sofrimento e o desamparo, acender uma luz qualquer, uma luz que não nos é dada, não desce dos céus, mas que nasce das mãos e do espírito dos homens.” (Ferreira Gullar)

 

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Fonte da imagem: Google

Sobre o Autor:
The EDN

The EDN - sou industriário, trabalho há 27 anos na Cedro (indústria têxtil centenária de Caetanópolis, MG) e atuo como professor há 24 anos em escolas particulares e públicas

Tô num “mato sem cachorro”, e agora?

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Há certos momentos em nossas vidas em que parece que tudo dá errado, você não está feliz no trabalho, a saúde não anda bem, os problemas vão se avolumando numa velocidade impressionante, deixando-nos atônitos sem saber o que fazer e por onde começar.

 

resolvendo-problemas

 

Sou um otimista nato: “nada está tão ruim que não possa piorar”. O que fazer diante de tantos infortúnios que parecerem escolher os piores momentos para aparecer?

 

Os problemas nunca vão desaparecer, mesmo na mais bela existência. Problemas existem para serem resolvidos, e não para perturbar-nos. (Augusto Cury)

 

O que seria de nós sem os problemas? Bem, não haveria preocupação, sem preocupação não haveria dedicação, sem dedicação não teríamos compromisso, sem compromisso não teríamos razão, sem razão não teríamos motivação, sem motivação não viveríamos.

 

Os problemas existem para serem enfrentados, e tenham certeza, ninguém irá resolver nossos problemas, somos nós é que temos que tomar as rédeas da nossa vida, com bem disse o prof. Gretz: ninguém poderá me fazer infeliz sem meu próprio consentimento.

 

A felicidade não se resume na ausência de problemas, mas sim na sua capacidade de lidar com eles. (Albert Einstein)

 

E o que fazer quando nos encontramos numa situação desesperadora? Enfrentar o problema e minimizar sua significância. Pode parecer estranho, mas existem pessoas que se apaixonam e até mesmo se casam com os problemas, se alguém por ventura tentar ajudar a resolver a situação é prontamente rechaçado e, muitas vezes, até xingado.

 

Chateações, inconveniências, são comuns a todo cidadão, não se iluda, seus problemas não são maiores ou menores do que do seu colega de trabalho, do seu vizinho, do seu irmão, ou de quem quer que seja. O que diferencia as pessoas, é a capacidade em lidar com esses problemas.

 

Pareço ter um imã pessoal para atrair pessoas com problemas, não raras vezes, sou abordado por pessoas que mal me conhecem, e já vão relatando seus infortúnios. Nesse caso eu tenho paciência suficiente para ouvir e aconselhar sobre o que penso sobre a situação, sempre digo: Amigo, ninguém irá resolver seus problemas. O primeiro passo é reconhecer que ele existe, depois é encará-lo de frente e buscar a solução.

 

Ter problemas na vida é inevitável, ser derrotado por eles é opcional. Roger Crawford

 

Conheço algumas pessoas que são ateus, tenho amigos evangélicos, outros católicos, alguns espíritas, respeito igualmente todos eles. Aliás, acho que convivo bem com as situações que envolvem religiões ou a falta dela. Não tenho muita paciência com radicalismos, pessoas que acham que a religião é mais importante do que o próprio Deus. Sempre fui católico, muito embora atualmente, tenho andado afastado da igreja, mas nunca deixei de ter minha fé. Acredito muito no poder de Deus, na sua capacidade de nos apresentar soluções, quando tudo parece perdido.

 

Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um não. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta. Augusto Cury

 

É hora de decidir se vai viver eternamente amargurado pelos problemas, ou se vai encará-los e buscar uma solução. Eu escolhi lutar, e se tenho direito de aconselhar, recomendo que faça o mesmo,  seja protagonista da sua história. É indescritível o doce sabor da vitória, quando conseguimos superar nossas amarguras e inquietações. A solução de todos os seus problemas está no seu íntimo: “Pare de reclamar.Tudo que você deseja já esta dentro de você, esperando apenas seu reconhecimento.”

 

Sobre o Autor:
José Márcio

José Márcio - Editor Chefe dos Invicioneiros, leitor voraz e aprendiz de escritor bloguicista.Tem opinião e assume os riscos Saudosista dos anos 80. E palpiteiro inveterado. Me Siga no Twitter [@jmpsousa].

Ode às sextas-feiras e os e-mails que emudeceram

sexta-feira, 1 de abril de 2011

 

 

Um poeta sobrevivendo canta

A curtição vivida por inteira

Por isso toda sexta-feira santa

Vamos espantar a bobeira

Caiamos na noitada faceira

Vamos brincar, molhar a garganta

Porque toda sexta-feira é santa

Viva a gandaia geral brasileira!

[Vinícius de Moraes]

 

SEXTA FEIRA

Imagem: Amigos da Poesia

 

Acho interessante constatar que pequenos acontecimentos do nosso dia a dia acabam nos proporcionando uma alegria contagiante.

 

Há alguns anos atrás, quando acabara de me ingressar no emprego que estou até hoje, um fato corriqueiro em toda sexta-feira me deixava muito feliz. A alegria esfuziante do amigo Betinho com a chegada, do melhor dia da semana, diga-se de passagem.

 

Numa época em que as redes sociais ainda engatinhavam na web, o precursor da alegria radiante do amigo Betinho era o e-mail. Me habituei a chegar no trabalho toda sexta-feira e abrir o e-mail já esperando a exaltação da chegada desse dia tão aguardado.

 

Nunca tive muita empolgação com a sexta-feira, pra mim era um dia normal, apesar de ser véspera de final de semana. Mas eu ficava feliz, lendo sobre a felicidade de um amigo através do e-mail.

 

Dia desses me peguei pensando sobre esse acontecimento que durou cerca de 3 anos e hoje infelizmente não acontece mais. Betinho saiu do emprego que trabalhava na cidade e mudou-se para Belo Horizonte. De lá prá cá, sua constante referência à sexta-feira, passou a ser um acontecimento registrado apenas nos arquivos do meu hotmail.

 

Diriam os mais intrépidos que sexta-feira é fim de expediente, é dia de farra, e isso,  justificaria o motivo de tamanha felicidade. Mas só hoje percebo que a felicidade, às vezes, pode estar em pequenos gestos, em pequenas atitudes.

 

Um simples e-mail, às vezes, tem o poder de mudar nosso estado de espírito, assim como acontece com a música. Muitos já devem ter experimentado a doce sensação de felicidade quando aquela música que adoramos começa a tocar no rádio. Nessa hora deixamos pra trás nossas dívidas, nossos dissabores, nossas incertezas e nossas amarguras, só queremos curtir aquele momento.

 

Toda essa lorota é para dizer que podemos encontrar a felicidade nos pequenos atos. Coisas corriqueiras, que às vezes, nos passam despercebidas, mas que, no decorrer de nossas vidas, aprendemos a valorizar.

 

Muitas vezes nos apaixonamos por nossos problemas e acabamos por deixar muitas coisas boas passarem despercebidas. Ignoramos situações e até mesmo pessoas, que nos cercam, sem vivenciar os prazeres que de fato eles poderiam proporcionar. Acostumamos tanto a lamentar os infortúnios, que muitas vezes, vivenciamos as alegrias sem a intensidade merecida.

 

"Definitivo, como tudo o que é simples. Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram... certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso... e que nos fez companhia por um tempo razoável, um tempo feliz" [Carlos Drummond Andrade]

 

Nossa fissura por ter, acaba comprometendo o nosso ser. Interessante constatar que a felicidade é contagiante, experimente chegar ao trabalho radiante, dê um bom dia esfuziante, elogie alguém. Fazer as pessoas felizes, também é uma forma de ser feliz.

 

Os e-mails do Betinho de toda sexta-feira não chegam mais na minha caixa de mensagens, aliás, depois que ele se mudou eu perdi completamente o contato, vai ver só mudou o e-mail e talvez ainda continue a enviar suas “odes às sextas-feiras”. Mas é fato que suas mensagens tinham um poder mágico de tornar o dia mais feliz.

 

Sobre o Autor:
José Márcio

José Márcio - Editor Chefe dos Invicioneiros, leitor voraz e aprendiz de escritor.Tem opinião e assume os riscos Saudosista dos anos 80. E palpiteiro inveterado. Me Siga no Twitter [@jmpsousa].

O post, a polêmica, e a evolução blogueira

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Diante da polêmica (discussão de alto nível, diga-se de passagem) do post anterior: E não é que a blogosfera perdeu a identidade!, resolvi retomar o assunto porém sob outra ótica, a fim de aparar algumas arestas.

 

Quando me referi ao assunto da perda da identidade, meu intento era chamar a atenção para a falta de renovação da blogosfera, evidentemente que ainda temos muita coisa boa por aí, mas ninguém pode negar que dificilmente aparece algo inovador.

 

companhias-crescendo

 

Meu critério para avaliar essa falta de renovação levou em consideração os últimos 2 anos, período em que fiquei mais assíduo na blogosfera. Reconheço tratar-se de um critério subjetivo, totalmente nonsense, sem nenhum condão de se transformar em algo norteador para a blogosfera. Mas a polêmica já era esperada.

 

Algumas pessoas argumentaram dizendo,  inclusive citando, alguns bons blogs surgidos nos últimos tempos. Concordei com alguns, discordei de vários, já que estavam aquém do limite personalíssimo definido por esse escriba.

 

Mas nem tudo esta perdido, em que pese essa letargia citada anteriormente, com um pouco de boa vontade, ainda dá para garimpar algumas coisas interessantes. Independentemente do nicho ou objetivo precípuo, eu, particularmente, penso que a preocupação com o processo evolutivo do blog e das postagens,  deve fazer parte do cotidiano bloguístico.

 

Segundo o Houaiss, evoluir é passar por processo gradual de evolução ou transformação. A própria definição da palavra permite um aprendizado bem interessante que pode ser levado para o campo da blogosfera. Nenhum blogueiro iniciou a jornada fazendo sucesso, ele é fruto de um constante transformação que o permitiu fazer dos erros um aprendizado e do aprendizado uma evolução, ou pelo menos deveria ser assim.

 

Todo início de  trabalho na blogosfera é tortuoso, repleto de percalços e obstáculos. Todos esses contratempos acabam por causar a morte precoce de muitos blogs. Por isso, mais importante do que fazer um blog é ter humildade para aprender, e vontade para evoluir.

 

E qual o caminho correto a tomar? Isso ninguém sabe, os caminhos a serem percorridos são diferentes, as experiências vividas por muitos, podem nos servir de norte, mas cabe a cada um encontrar a sua trajetória, seu próprio êxtase.

 

O brilhante médico, psiquiatra, psicoterapeuta e escritor de literatura psiquiátrica Augusto Cury certa vez escreveu “... Não deixe as frustrações dominar você, domine-a. Faça dos erros uma oportunidade para crescer. Na vida, erra quem não sabe lidar com seus fracassos.”

 

Provavelmente muito dos frequentam esse minifúndio já devem ter pensado ou abandonado um projeto iniciado com grande perspectiva, esse escriba que vos fala já passou por essa experiência, e posso garantir que desanimar no primeiro obstáculo, não é o melhor caminho. A experiência de um projeto fracassado pode servir de norte para a implementação de um novo, sem os erros primários cometidos anteriormente.

 

É muito comum o desinteresse em manter a atualização de um blog, principalmente quando esse blog possui pouca repercussão, ou o nicho escolhido não era motivador o suficiente para manter o entusiasmo do autor. Quando isso acontece o melhor a fazer é levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima.

 

Uma estatística do Technorati revela que apenas cerca de sete milhões dos 133 milhões de blogs indexados pelo sistema de busca são atualizados regularmente. Ou seja, 95% deles estão formalmente esquecidos pelos seus donos. [Rafael Cabral]

 

Um triste realidade, já que provavelmente no meio desses blogs abandonados muito conteúdo interessante se perdeu no tempo e na inércia.

 

Estagnação e letargia, são desmotivantes para os leitores de blogs. Falo isso com a experiência de ser um leitor assíduo. Blogs que raramente são atualizados, passam a ideia de abandono. Se o autor não tem compromisso com sua própria criação, o que dizer dos leitores?

 

Muito mais difícil do que ter é manter um blog atualizado, principalmente pra quem se preocupa com a qualidade do conteúdo. Essa tarefa exige um esforço extenuante, em pesquisas, leituras, busca de tópicos a serem tratados, etc. Ainda assim corremos o risco de todo esse esforço não representar a repercussão almejada. Tudo isso pode trazer dissabores e até mesmo representar o abandono de um projeto.

 

É importante que todos nós saibamos que blogar exige um aprendizado constante, é preciso manter-se em constante evolução, e esse processo evolutivo são etapas pelas quais sistematicamente todo blogueiro necessita passar. É salutar ter consciência e sabedoria para assimilar que nem todos nós alcançaremos o nosso propósito, mesmo assim trabalharemos para que isso aconteça, o resto será consequência.

 

É muito gratificante poder acompanhar a evolução de alguns blogueiros. Tomarei a liberdade de citar alguns nomes que tive o privilégio de acompanhar: Luan Felipe do Bloggers, Ana Karenina do Escritos Ideológicos, Caio Lausi do Blog do Lausi, Fernando Júnior do Furia. Recomendo a todos que ainda não os conhecem, que passem a acompanhar o trabalho dessas pessoas. Posso garantir que não irão se arrepender. São “jovens”, que já têm um presente brilhante, e se engajados,  terão um futuro promissor pela frente.

 

Só o imperfeito pode evoluir. O perfeito já se estagnou, cristalizou-se. Portanto só o imperfeito tem futuro. [Bert Hellinger]

 

Por fim, nunca é demais lembrar que a avaliação e reavaliação sistemática do nosso próprio trabalho é de extrema importância para alcançarmos nossos objetivos. Se não conseguirmos perceber evolução desse trabalho, é hora de repensar os objetivos e avaliar se o projeto está de fato coadunando com nossas pretensões. Só é possível evoluir se mantivermos a motivação, quem bloga por simples obrigação, dificilmente consegue evoluir.

 

Recomendo a leitura:

# Por que morrem os blogs? - Rafael Cabral

# 11 Formas de Fracassar Como Blogueiro – Blosque

# The evolving blogosphere – The Economist

 

Sobre o Autor:
José Márcio

José Márcio - Editor Chefe dos Invicioneiros, leitor voraz e aprendiz de escritor.Tem opinião e assume os riscos Saudosista dos anos 80. E palpiteiro inveterado. Me Siga no Twitter [@jmpsousa].