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A bomba da Coreia do Norte

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

 
 
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É muito triste saber hoje que ainda existem países, como a Coreia do Norte, que promovem o uso de arsenal atômico como forma de defesa. É inconcebível perceber que a insanidade de uma família de ditadores possa comprometer o futuro da humanidade.

 

Não sou de debater política, muito menos política internacional, porque a concebo de forma diferente da que as pessoas do meio entendem e praticam. Vejo a política como uma maneira de conciliar percepções de vida e organização social diferentes por parte dos indivíduos de uma sociedade e, dessa forma, promover as regras mais aceitáveis para que haja uma convivência saudável. Infelizmente, a política tem sido um palco de egos e disputas que não consideram em momento algum o bem comum da sociedade.

 

Sobre o episódio em questão, vejo-o como mais uma prova da imbecilidade de um “líder”, ou melhor, um ditador que não demonstra nenhum tipo de respeito ao ser humano. É mais um “que faz na vida pública o que deveria fazer na privada”...

 

“O imbecil”

 

Na etimologia da palavra imbecil vem do latim “imbecille”, cujo significado é “sem bastão, termo formado de ‘im’: sem, e ‘bacillu’, diminutivo de ‘baculu’.

 

Para nós é “idiota, tolo, néscio”, entre outros. Lima Barreto, em seu “Diário Íntimo”, ao descrever um personagem, diz:

 

“Esse chefe de polícia, Cardoso de Castro, é a besta mais imbecil que há no Brasil. Irritado, ignorante, esfomeado de dinheiro, babuja-se todo para ficar no lugar em que está”.

 

Caberia essa descrição para Kim Jong-um, atual líder norte-coreano, bem como para seus familiares antecessores. Promotores de uma política extremista e cruel, justificada pelo falso nacionalismo ufanista, cujo único propósito é a manutenção do poder. Se pensarmos bem, considerando a etimologia da palavra, podemos dizer que Kim Jong-um personifica um bacilo que traz consigo a doença do autoritarismo absoluto e intransigente, que não permite o diálogo para solucionar os problemas da sociedade.

 

Queria escrever uma poesia sobre o imbecil...

 

Não deu... não merece...

 

Vai esse tosco texto que você leu...

 
 
 
 
 
Sobre o Autor:
The EDN
The EDN - sou industriário, trabalho há 27 anos na Cedro (indústria têxtil centenária de Caetanópolis, MG) e atuo como professor há 24 anos em escolas particulares e públicas

Filosofia Para as Massas

terça-feira, 15 de abril de 2014



Um professor do ensino médio de uma escola do Distrito Federal causou controvérsia ao apresentar uma questão mencionando a cantora de funk carioca Valesca Popozuda como “grande pensadora contemporânea” numa prova de filosofia.

Prova_Popozuda

Segundo Antônio Kubitschek, o responsável pela prova, a ideia da pergunta surgiu a partir de um debate em sala de aula sobre a formação moral da sociedade e sobre a construção de seus valores. "Discutimos em sala que a escola só aparece na mídia em contextos ruins. Há vinte dias fizemos uma exposição de fotos e nenhum veículo de comunicação deu atenção. Então eu decidi colocar uma questão como essa na prova, esperando a repercussão nas redes sociais e na imprensa.".

Lecionando há quase vinte anos na rede pública, o mestre defendeu a forma como se referiu à funkeira. "É um fato engraçado. Se eu tivesse colocado Chico Buarque como grande pensador contemporâneo, não geraria polêmica nenhuma! Mas a partir do momento em que a Valesca traz uma música e a imprensa diz que 'fulano de tal deu um beijinho no ombro', ela está passando um conceito. Se a gente pegar uma corrente filosófica de que todo mundo pode ser um pensador desde que consiga criar um conceito – e aí vêm os filósofos franceses, então eu acho que a Valesca é, sim, uma pensadora!", justificou o professor, que usou o termo "grande pensadora contemporânea" sem aspas na prova, por ter a convicção de que a funkeira exerce influência sobre a sociedade. "Ela acabou criando um conceito. Se ela influencia a sociedade com o que ela pensa, eu a considero, sim, uma pensadora.".

E com isso o professor alcançou o seu intento. Fez os fins justificarem os meios, e, ainda que tenha “forçado a barra” com o enunciado da questão, conseguiu provar para os seus alunos como a mídia e a internet são ferramentas poderosas na sociedade, e o quanto essa mesma sociedade se encontra dominada por aquelas, a ponto de se ver influenciada por uma artista de um gênero musical tido como tosco e maldito.

A meu ver, muito além de se reconhecer a cantora como pensadora ou não ainda mais em nosso país que, paradoxalmente, orgulhamo-nos das conquistas no futebol mas não temos um Prêmio Nobel sequer percebe-se o quanto o preconceito e o recalque já fizeram metástase em nossas almas. Tivesse a cantora nascido na Zona Sul e frequentado as escolas mais tradicionais do Rio, a questão da prova, certamente, teria passado em branco. Mas não, a pensadora em questão é mulher, favelada, funkeira, desbocada e jamais pertencerá à “elite cultural brasileira”.

O amigo Antônio Souza observou bem: “Pelo jeito, o tal professor conseguiu mostrar ao mundo o que é filosofar atingindo todos os públicos. Não se filosofa só com a parede.

Muitos acusarão o professor candango de banalizar o ensino de filosofia. Mas ele foi suficientemente corajoso ao, involuntariamente (ou não), iniciar um processo de “deselitização” da filosofia (perdoem o neologismo!). O docente está desembrulhando a filosofia de seu invólucro de papel alumínio dourado e está para servi-la numa “quentinha” bem temperada para as massas, tornando-a mais palpável, mais acessível, menos abstrata e menos maçante.

Por outro lado, nunca ouvi uma música da Valesca. Mas toda a discussão e muitos comentários que li nas redes sociais chegam a assustar. O Brasil dá indícios de estar caminhando a passos largos para um neofascismo. Embora entenda que ninguém é obrigado a gostar de funk carioca, percebo que uma horda de fariseus tem o prazer de manifestar todo o seu radicalismo, toda a sua intolerância contra aquilo o qual não se afeiçoa, estética ou ideologicamente.

Também não sou fã do funk carioca. Mas gosto de rock, reggae, samba e de Racionais MCs que, coincidentemente ou não, são ritmos e gêneros musicais que tiveram as mesmas origens nas camadas sociais mais pobres e excluídas. E tanto quanto o seu “primo pobre carioca”, também penaram muito por serem rotulados como ritmos marginais, profanos, indecentes, demonizados, proibidos pelas elites, combatidos pelas autoridades e talvez por tudo isso também venerados pelas juventudes de ontem e de hoje.

E afinal: tudo o que desafia o senso comum não pode ser filosófico? Ou Sócrates foi envenenado por acaso?


Bonus Track I:




Bonus Track II:




Sobre o Autor:
Harley Coqueiro
Harley Coqueiro - Advogado e Jornalista. Chargista e Cronista da Folha de Paraopeba. Fã de Beatles, de thrillers policiais e da boa comida mineira.

“O Pior Tráfico é o de Influência” e Outras Pérolas

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

 

 

 

Fim do mundo e fim de ano chegando, e eu aqui, relendo alguns “provérbios” que escrevi nas redes sociais durante esse tormentoso ano de 2012.

 

Acabei por descobrir que os grandes pensadores da Humanidade devem ter vivido muitos momentos de angústia, pois no contexto em que escrevi as frases abaixo – e longe de eu ser um “pensador” – vivi intensamente isso e cheguei à conclusão de que o comodismo é um processo letárgico, irreversível, que vai intoxicando e esclerosando os nossos espíritos...

 

Platao_Recruta_Zero_Harley_Coqueiro_Invicioneiros

 

E nessa brincadeira de escrever frases, eu tive lampejos de Platão, Nietzsche, Wilde, Salomão e Dadá Maravilhae me diverti bastante!

 

Sem delongas, selecionei, cronologicamente, 25 pérolas, das quais eu nunca tive a intenção de atirá-las aos porcos:

 


"A maldade nunca pode ser maior que a inteligência."

[Harley Coqueiro]

 

"Deus criou a mulher. O diabo, o salto alto."

[Harley Coqueiro]

 

"Sejamos flexíveis como um arco, mas firmes como um flecha, em nossas decisões."

[Harley Coqueiro]

 

"Quem teme a Deus, não precisa temer o homem."

[Harley Coqueiro]

 

“Subestimam a sua inteligência e ainda não lhe pedem desculpas!”

[Harley Coqueiro]

 

" 'Em terra de sapos, ronque como eles.' Mas eu não sou sapo!"

[Harley Coqueiro]

 

“Fique atento a cada gesto e a cada olhar:
pode ser que alguém esteja pedindo-lhe socorro
e você nem está percebendo...”
[Harley Coqueiro]

 

“Oh Senhor, não permita que a maldade continue a se disfarçar de justiça!”

[Harley Coqueiro]

 

"Não confie em alguns trompetistas... Alguns só agem na surdina!"

[Harley Coqueiro]

 

"O pior tráfico é o de influência."

[Harley Coqueiro]

 

"Às vezes é preferível mais sorte que juízo!"

[Harley Coqueiro]

 

"O pior chato é o chato com tempo!"

[Harley Coqueiro]

 

“De todas as certezas, a pior é a da impunidade.”

[Harley Coqueiro]

 

"O radicalismo é um sinal de tirania."

[Harley Coqueiro]

 

"A vida é uma estrada que nós seguimos sem saber onde e quando termina..."

[Harley Coqueiro]

 

"Amem e Amém..."

[Harley Coqueiro]

 

"O que tem de ser elevado é o espírito e não o tom de voz..."

[Harley Coqueiro]

 

"A principal característica de pessoas descoladas: não serem grudentas..."

[Harley Coqueiro]

 

"O tolo não distingue a bajulação da amizade."

[Harley Coqueiro]

 

"Perdi a fé... Mas não a esperança!"

[Harley Coqueiro]

 

"Três coisas que jamais poderiam ser vendidas: a alma, a honra e o voto."

[Harley Coqueiro]

 

"Eu estava em cima do muro até na hora em que ele desabou

e não restou pedra sobre pedra..."

[Harley Coqueiro]

 

"Especulo, logo existo."

[Harley Coqueiro]

 

"A diferença entre o torcedor e o eleitor, é que aquele não tem memória curta..."

[Harley Coqueiro]

 

"A Justiça tem algo em comum com a Política:

é um erro quando praticada com o fígado..."

[Harley Coqueiro]

 

 

 

Bonus Track:

 

“O comodismo é o caixão de nossas almas…”

[Harley Coqueiro]

 

 

 

* © Todas as frases acima podem ser utilizadas livremente, desde que citado o nome do autor.

 

 

Sobre o Autor:
Harley Coqueiro

Harley Coqueiro - Advogado e Jornalista. Chargista e Cronista da Folha de Paraopeba. Fã de Beatles, de thrillers policiais e da boa comida mineira.

A Arbitragem Nossa de Cada Dia

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

 

A arbitragem brasileira conseguiu mais uma vez manchar o Campeonato Brasileiro. A deste ano, então, mesmo com a ajuda dos tais 4º e 5º árbitros auxiliares (que na verdade, nada auxiliam!), ficou com a bola bem murcha. E o desastre foi geral, prejudicando praticamente todos os clubes da Série A – uns mais que os outros, é verdade – numa roleta russa de erros absurdos que vão dos gramados ao STJD.

 

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Alguns cronistas pregam que a arbitragem encontra-se em crise não só no Brasil mas no mundo todo. Discordo em parte: pelo menos nas partidas das quais eu assisti pela Champions League, Liga Inglesa e Campeonato Espanhol, é praticamente imperceptível a atuação dos juízes, graças ao bom nível e à preparação da arbitragem europeia. Erros eventualmente acontecem, mas não tão grotescos como os que ocorreram neste Brasileirão 2012.

 

Entretanto, cabe aqui uma ponderação: na Europa, tem-se um princípio que no Brasil, mesmo com todo o profissionalismo, dinheiro e tecnologia, ninguém “importou” ou assimilou, que nada mais é que o respeito pelas regras do jogo e pelo público pagante, o tão propalado fair play.

 

Nos campos europeus, não é comum um técnico querer “apitar” as partidas pressionando veementemente o trio de árbitros como ocorre por aqui. Os luxemburgos e os felipões da vida, somados aos dirigentes de mentalidade de time de várzea, são também responsáveis pelas tragédias em nossa arbitragem. Por aqui prevalece a cultura da catimba, da malandragem, do “ganhar no grito”. E o árbitro latino, emocionalmente inconstante por natureza, neste ambiente hostil, está fadado a “amarelar” e a cometer erros comprometedores.

 

Outro detalhe que não pode ser ignorado: o torcedor, fanático e apaixonado, tende a “enxergar de forma inconsciente”, mais erros de arbitragem contra o seu clube do que com os outros. E essa “síndrome” ocorre com todos os torcedores: de atleticanos a vascaínos, passando por cruzeirenses e gremistas. Freud Futebol Clube explica isso...

 

E para finalizar, se querem saber se sou a favor do uso da tecnologia para sanar as dúvidas durante as partidas (a polêmica no gol de mão de Barcos do Palmeiras contra o Inter, por exemplo), eu digo que não. O erro no futebol é que o torna mais humano.

 

Assim como um zagueirão “engrossa”; um goleiro “franga” e um craque “pipoca”, um árbitro e um bandeirinha também têm o direito de errar involuntariamente, por mais que isso signifique tragicamente uma eliminação ou a perda de um título.

 

Ademais, mesmo com toda a tecnologia de última geração, duvido se haveria consenso em todos os lances. O futebol ficaria “editado” e frio. E neste esporte, a emoção, a polêmica e a indignação têm mais graça que a razão...

 

 

* Crônica publicada na Folha de Paraopeba, edição de novembro de 2012.

 

 

 

Bonus Track:

 

 

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** Charge publicada na Folha de Paraopeba, edição de novembro de 2012.

 

 

Sobre o Autor:
Harley Coqueiro

Harley Coqueiro - Advogado e Jornalista. Chargista e Cronista da Folha de Paraopeba. Fã de Beatles, de thrillers policiais e da boa comida mineira.

Heróis

segunda-feira, 14 de maio de 2012




Certa vez, eu ouvi alguém dizer que o Maradona não servia de exemplo para os mais jovens em razão de seu comportamento controverso dentro e fora de campo. Não vou entrar em polêmicas envolvendo o ex-craque argentino, mas entendo que os modelos comportamentais para uma pessoa, começam em casa. O pai e a mãe (ou os responsáveis) são os detentores dos referenciais para a moldagem do caráter de uma criança. Portanto, o “exemplo para os mais jovens” partir de um astro do futebol ou de um galã de Hollywood soa um absurdo. Imagine os pais querendo que os filhos sigam os “exemplos” de celebridades do BBB ou do UFC?

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O problema é que com esta tumultuada vida moderna, os pais estão cada vez mais distantes de seus lares e vão, ainda que involuntariamente, renunciando aos seus mandatos para terceiros: a avó, quem cria; a babá, quem educa e o “videogame”, “quem” faz companhia...

Um dos equívocos da modernidade é tratar alguns conceitos tradicionais de forma execrável em vez de revê-los. A família é um deles. A partir dos psicodélicos anos 60, a instituição familiar passou a ser achincalhada. Nos anos 80, chegaram a decretar a sua “falência”. Uma fala extraída do filme “A Partilha” (2001) resume bem esta deturpação: “Isto é uma família e não uma democracia!”. E a consequência da ruína nos lares é a selvageria que tomou conta das ruas...

A tecnologia, que a princípio foi concebida para tornar mais fácil a vida do homem, está se tornando o algoz que subjuga e escraviza. E no seio familiar, isso ainda é mais nocivo. Não se pretende aqui um retorno à idade das cavernas, porém os nossos “smartphones” de última geração estão nos deixando cada vez mais isolados, acomodados, frios e medrosos. E vamos exigir mais o que de nossas crianças, além de terem de dar conta do controle remoto da TV que sumiu?

É notório que a missão de se criar e educar filhos hoje em dia não está nada fácil. A busca do equilíbrio entre proteção e liberdade é o objetivo a ser alcançado. Sabe-se o quão é contraditório dar exemplos de que trabalho e dignidade valem mais que dinheiro e poder. Ainda que com a cabeça tomada pelos problemas cotidianos, não podemos deixar de dispensar cuidado, afeto, atenção, disciplina e ética. O complicador é que você se esforça em transmitir princípios, valores e temor a Deus, mas as futilidades deste mundo parecem ser mais eloquentes sobre os pequenos.

Mas nós, pais, não podemos baixar a cabeça: o mundo a cada dia nos desafia a defender a nossa prole da vilania real e virtual que nos rodeia. E nestas horas é preciso ter sabedoria e muita fé em Deus, pois a despeito de sermos humanos – demasiadamente humanos – não podemos abdicar do posto de heróis “infalíveis” de nossos camaradinhas!

[Crônica publicada na Folha de Paraopeba, edição de abril de 2012]

Bonus Track [1]:

O que me inspirou a escrever esta crônica?
O comercial da Coca-Cola com a música “Heroes” de David Bowie:




Bonus Track [2]:

Se existem heróis, existem vilões…

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[Charge publicada na Folha de Paraopeba, edição de abril de 2012]

Sobre o Autor:
Harley Coqueiro Harley Coqueiro - um cara da paz, iluminista, evangélico não fundamentalista, pai do Ulisses e do Dante. Já desenhou charges, escreveu poemas e compôs canções gospel. Tem como pecados, gostar em excesso de rock'n'roll, filmes e comida!

E o Prêmio Quiabo do Ano 2012 vai para… Demóstenes Torres!

quinta-feira, 3 de maio de 2012

 

A “Festa Nacional do Quiabo”, desde 2006, é realizada em Paraopeba, interior de Minas, a cerca de 100 Km. de Belo Horizonte. A festa acontece em todo final do mês de maio e início de junho.

 

Segundo a EMATER, Paraopeba é o maior produtor nacional de quiabo.

 

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Curiosamente, no interior de Minas, chamar alguém de "quiabo" é o mesmo que dizer que tal pessoa "possui habilidades para se esquivar de problemas” ou é “escorregadio”, “liso” ou “que nunca assume nada do que diz ou faz".

 

Durante a “Festa Nacional do Quiabo”, existe o prêmio “Quiabo do Ano” (“Kiaboo Prize”), honraria conferida pelo blog “Os Invicioneiros” (www.osinvicioneiros.com.br) à personalidade nacional ou internacional que mais se destaca no ato de “quiabar”...

 

Neste ano, o “Kiaboo Prize” vai para o senador goiano DEMÓSTENES TORRES (!), por ter sido flagrado nas escutas da Polícia Federal na “Operação Monte Carlo”, em conversas comprometedoras com o contraventor Carlinhos Cachoeira, e agora está tentando negar tudo, escorregando feito um quiabo…

 

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O nobre senador Demóstenes Torres receberá em seu gabinete em Brasília, uma caixa de 40 Kg da hortaliça…

 

Eis os vencedores dos anos anteriores e os motivos pelos quais foram merecidamente credenciados ao recebimento do prêmio:

 

2006  Silvinho do PT

 

2007  Messi

 

 

2008  Ronaldo Fenômeno

 

2009 Vanusa

 

 

2010  Neymar

 

2011  Aécio Neves

UPDATE 21/05/2012

Ouça a entrevista deste blogueiro à Band News FM, sobre o referido prêmio:

 

 

Sobre o Autor:
Harley Coqueiro

Harley Coqueiro - um cara da paz, iluminista, evangélico não fundamentalista, pai do Ulisses e do Dante. Já desenhou charges, escreveu poemas e compôs canções gospel. Tem como pecados, gostar em excesso de rock'n'roll, filmes e comida!

Neo-entreguismo

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

 

entreguismo

 

O Brasileirão de 2010 está chegando ao fim e, como não poderia deixar de ser, não deve acabar sem polêmicas...

 

Se já não bastassem as tensões dos líderes Fluminense, Corinthians e Cruzeiro; o pânico na Zona do Rebaixamento e as arbitragens “prodigiosas”, outro mal já começa a manchar o campeonato: o “entreguismo”.

 

O termo “entreguismo” tem as suas origens relacionadas às disputas políticas pelo petróleo no Brasil, na década de 1950 e, em sentido estrito, é o preceito, mentalidade ou prática político-ideológica de se entregar recursos naturais de uma nação para a exploração por entidades ou empresas de outro país.

 

No Campeonato Brasileiro, porém, entendo que também pode ser empregado o termo “entreguismo”, no que se refere ao artifício utilizado por times de futebol, que consiste em “entregar” (facilitar) os seus jogos para outros times que concorram diretamente ao título contra os seus arquirrivais, retirando a possibilidade desses de serem campeões.

 

Vejamos: depois do jogo entre o Corinthians e o Cruzeiro, em que o meio-campista Roger, indignado com a arbitragem, conclamou os jogadores palmeirenses e são-paulinos a “entregarem” os seus jogos para o Fluminense, ficou exposta a ferida da atual fórmula de pontos corridos: o “entreguismo”.

 

Na partida entre o São Paulo e o Fluminense, por exemplo, vimos faixas de torcedores do tricolor paulista com o dizer “ENTREGA” (“sic”), para que os jogadores do time paulista “entregassem/facilitassem a vida” do Flu, e assim dificultassem a conquista do campeonato pelo Corinthians, arquirrival local.

 

Não podemos esquecer também a derradeira partida do Flamengo contra o Grêmio no Brasileirão de 2009 (em que o time da Gávea foi campeão) e que ficou marcada pela evidente apatia do time gremista, pressionado pelos seus torcedores para que “entregasse” o jogo para o Rubro-negro e tirasse do Internacional o sabor do título. Maldade dos torcedores gremistas? Pode até ser. Mas a culpa maior é dos cartolas da CBF que não entendem nada da paixão do torcedor e ficam ditando (e copiando) regras europeias.

 

Quer outro exemplo: imagine uma situação em que o Atlético-MG ou o Cruzeiro, que, além de si, dependessem da vitória do arquirrival para ser campeão. O que fariam os torcedores do Galo ou do Cruzeiro numa situação dessas?

 

[Eu creio que todos sabemos a resposta e é por isso que eu não vou atirar a primeira pedra!]

 

Particularmente, eu sempre preferi a fórmula antiga do Brasileirão, praticada até o ano de 2002. Havia uma fase classificatória (único turno ou turno e returno) e outra, eliminatória (mata-mata), fórmula esta parecida com a das Copas Libertadores e do Mundo FIFA. Tal fórmula propiciava aos times a chance de se classificarem até no 8º lugar e disputarem o título, como por exemplo, no Brasileirão de 2002, quando o Santos de Diego e Robinho conseguiu ser campeão, após classificar-se em 8º lugar e eliminar, com competência e talento, times melhores classificados. Aquela fórmula, ainda que digam menos “justa” que a atual, era sem dúvida, bem mais emocionante e não dava chances para o “entreguismo”.

 

É certo que a fórmula de pontos corridos premia o clube mais organizado, bem estruturado e com as contas em dia. Para se dar bem em pontos corridos, é preciso que o time esteja bem equilibrado (política, emocional e financeiramente) e desenvolva um trabalho com estabilidade e planejamento acima dos demais. É interessante lembrar que das 7 edições do Brasileirão no sistema de pontos corridos, apenas em 2005 e 2009, o campeão teve mais de um treinador, o que comprova a tese da estabilidade e planejamento. O senão é que esse sistema deixa de lado a emoção das disputas diretas, além de ainda dar chances aos times de se utilizarem do nefasto “entreguismo”, que nada tem de “fairplay”.

 

E uma vez que dificilmente será abandonada a fórmula dos pontos corridos, caberia então sugerir à CBF, em nome da saudável desportividade e para se evitar o tal “entreguismo”, que os clássicos regionais fossem disputados na última rodada do campeonato, o que diminuiria as chances de times arquirrivais “entregarem” os seus jogos justamente na última rodada, quando o campeão em potencial já se encontra com mão na taça.

Ficha Limpa, Mãos Sujas

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

 

dirtyhandsMP 

A Lei Complementar nº 135/2010 (Lei Ficha Limpa) proíbe a candidatura de pessoas condenadas por órgãos colegiados da Justiça. A proposta foi sancionada na íntegra pelo presidente Lula e é resultado de um projeto de iniciativa popular apresentado na Câmara dos Deputados em setembro do ano passado, subscritado por mais de 1,3 milhão de assinaturas.

 

Alguns movimentos sociais e a mídia em geral têm enaltecido a Lei Ficha Limpa, como se fosse a purgação de todos os pecados da política brasileira. Ocorre que na sua aplicação, porém,  além de violar o sagrado princípio da presunção da inocência da pessoa humana, a lei lembra o processo neofascista de “caça às bruxas” da ditadura militar, que também estabeleceu a cassação dos direitos políticos pela "vida pregressa". Resta a dúvida: se pessoas com "ficha suja" não podem se candidatar, porquê as mesmas poderiam votar?

 

As intenções são boas, os seus efeitos é que foram pouco pensados pelos puritanos de plantão. Pouca gente tem tido coragem de advertir sobre os riscos e ameaças encrustrados nesta lei que, em nome da moralização da política, pretende proibir que políticos condenados (em segunda instância) concorram a um mandato eletivo, pisoteando em princípios constitucionais duramente conquistados.

 

A primeira ameaça ronda o artigo 5° da Constituição Federal, que aborda os direitos fundamentais e afirma que “ninguém será condenado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”.

 

O Professor de Direito Penal da UFMG, Dr. Túlio Vianna, já vaticinava em seu blog, ainda quando da tramitação do projeto no Congresso:

 

“Se o tal projeto Ficha Limpa for aprovado, o que vai ter de político sendo processado criminalmente só para ser tornado inelegível… Achei que o art.5º LVII exigisse trânsito em julgado de sentença penal condenatória. Deve ser só na minha Constituição. Se o ‘ficha limpa’ não fere a presunção de inocência, é pior ainda, pois vão tolher a exigibilidade do cidadão mesmo sendo inocente. ‘Êh argumento jurídico bão: nós continuamos te considerando inocente, mas não vamos te deixar candidatar mesmo assim! Que beleza!’ Ou o cara é presumido inocente ou é presumido culpado. Não tem meio termo. Se é presumido inocente, não pode ter qualquer direito tolhido”.

 

Na mesma linha de raciocínio, o jornalista e ex-parlamentar Marcos Rolim também alerta para o fato de que o princípio da presunção da inocência é uma das garantias basilares do Estado Democrático de Direito e que o quê a Lei Ficha Limpa estabeleceu é o “princípio de presunção de culpa”.

 

Além disso, Rolim relembra que a ideia de ficha limpa não é nova e já foi apresentada no Brasil, durante a ditadura militar:

 

“Foi a ditadura militar que, com a Emenda Constitucional nº 1 e a Lei Complementar nº 5, estabeleceu a cassação dos direitos políticos e a inelegibilidade por ‘vida pregressa’; vale dizer: sem sentença condenatória com trânsito em julgado”.

 

E o jornalista Rolim vai mais além e ironiza: se a lei pegar, daqui a pouco será aplicada também aos eleitores:

 

“Se pessoas com ‘ficha suja’ não podem se candidatar, porquê as mesmas poderiam votar? Nos EUA, condenados perdem em definitivo o direito de votar, o que tem sido muito conveniente para excluir do processo democrático milhões de pobres e negros, lá como aqui, ‘opções preferenciais’ do Direito Penal. E a imprensa? Condenações em segunda instância assinalarão uma ‘mídia ficha suja’ no Brasil?”

 

Mas talvez a ameaça mais grave, e menos visível num primeiro momento, é que a Lei Ficha Limpa esconde um outro propósito tão obscuro e nefasto quanto interferir no princípio constitucional da presunção de inocência: é um instrumento poderoso para se eliminar desafetos políticos.

 

E não é preciso ir muito longe para ver que isso, lamentavelmente, já saiu da retórica para a prática. Basta, por exemplo, o Ministério Público não ter simpatia por certo político, para daí ajuizar temerárias ações civis públicas, uma após a outra, para assim tentar, por via oblíqua, “sujar a ficha” do candidato em potencial, e assim beneficiar politicamente outros candidatos mais “simpáticos”. Isto é democracia? Lógico que não!

 

É sintomático que o debate sobre a “ficha limpa” apareceu divorciado do tema da reforma política, eternamente protelada e engavetada. As propostas de uma mudança na legislação eleitoral e o financiamento de campanhas não obtém, convenientemente, o mesmo alto grau de consenso e mobilização. Vale a pena lembrar de uma observação feita pelo filósofo esloveno Slavoj Zizek, acerca do papel da moralidade na política. Ele analisa o caso italiano, onde a midiática operação “Mãos Limpas” promoveu uma devassa na classe política da Itália. E qual foi o resultado? Zizek comenta em seu livro “Às Portas da Revolução”:

 

“Sua vitória (de Berlusconi) é uma lição deprimente sobre o papel da moralidade na política: o supremo desfecho da grande catarse moral-política – a campanha anticorrupção das mãos limpas que, uma década atrás, arruinou a democracia cristã, e com ela a polarização ideológica entre democratas cristãos e comunistas que dominou a política italiana no pós-guerra – é Berlusconi no poder. É algo como Rupert Murdoch vencer uma eleição na Grã-Bretanha: um movimento político gerenciado como empresa de publicidade e negócios. A ‘Forza Itália’ de Berlusconi não é mais um partido político, mas sim – como o nome indica – uma espécie de torcida”.

 

A eleição de políticos de “tipo Berlusconi” mostra outra fragilidade da norma legal. O jornalista Marcos Rolim adverte:

 

“Muitos dos corruptos brasileiros possuem ‘ficha limpa’ – especialmente os mais espertos, que não deixam rastros ou que têm amigos influentes. Por outro lado, uma lei do tipo na África do Sul não teria permitido a eleição de Nelson Mandela, cuja ‘ficha suja’ envolvia condenação por ‘terrorismo’. Várias lideranças sindicais brasileiras possuem condenações em segunda instância por ‘crimes’ que envolveram participação em greves ou em lutas populares. Devemos impedir que se candidatem?”

 

Marco Aurélio Weissheimer, editor-chefe da Carta Maior, observou bem:

 

“Agora mesmo, cabe lembrar, no Rio Grande do Sul e em São Paulo, lideranças sindicais estão sofrendo condenações por protestos realizados contra os governos dos respectivos estados. Já não estão mais com sua ficha limpa. Os governantes dos dois estados, ao contrário, acusados de envolvimento em esquemas de corrupção, de autoritarismo e de sucateamento dos serviços públicos seguem com a ficha limpíssima. É este o caminho? Uma aberração político-jurídica vai melhorar nossa democracia?”.

 

Na visão do presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, recursos jurídicos contra a Lei Ficha Limpa, como o do senador Heráclito Fortes (DEM-PI), já eram previsíveis. O senador piauiense teve os efeitos da Ficha Limpa anulados pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

 

Com os vícios de constitucionalidade contaminando a Lei Ficha Limpa, a norma servirá apenas para desgastar ainda mais o Judiciário Brasileiro e a Classe Política.

 

Ressalta-se que não há aqui apologia alguma ao descumprimento da Lei Ficha Limpa. Entretanto lamenta-se o fato de que foi perdida uma grande chance de se promover uma ampla reforma política no Brasil, bem mais eficiente e leal.

 

Ademais, ainda há esperança - cabe aos eleitores o poder maior: o voto consciente. À Justiça Eleitoral, compete fiscalizar, com mãos limpas  e coração puro, o pleito eleitoral!

 

Sobre o Autor:
Harley Coqueiro

Harley Coqueiro - um cara da paz, iluminista, torcedor do Galo, evangélico não fundamentalista, pai do Ulisses e do Dante. Já desenhou charges, escreveu poemas e compôs canções gospel. Tem como pecados, gostar em excesso de rock'n'roll, filmes e comida!

O que fizeram com o nosso Hino Nacional?

terça-feira, 29 de junho de 2010

Tenho assistido aos jogos da Copa do Mundo e gosto especialmente do momento em que os hinos dos países são apresentados. É interessante observar como cada jogador reage diante da música que simboliza seu país, que ele defende dentro de campo. A reação da torcida também desperta-me a atenção, especialmente quando o hino é cantado de forma a sobrepor-se ao horrível som das vuvuzelas. Um hino nacional desperta de fato o sentimento nacionalista em quem dá valor a seu país e tem essa consciência.



Entretanto, estou furioso com o fato de que, nos jogos do Brasil, nosso Hino Nacional Brasileiro, tão belo, não seja executado integralmente. Acho isso simplesmente um absurdo! É inadmissível o que é feito, reduzindo-o à primeira estrofe, apenas. Há alguns anos, executava-se apenas a primeira parte, com a alegação de que o hino é muito grande e o cerimonial não o comportava integralmente. Mas agora ficou ridículo!... O corte “aleijou” musicalmente nosso hino e tornou sua letra (pelo menos a parte exibida) totalmente sem sentido.



Para mim, trata-se de uma falha gravíssima da diplomacia brasileira, da Confederação Brasileira de Futebol e uma grande falta de respeito por parte da FIFA. É necessário que alguma voz se levante em relação a isso. Não vi ninguém das diversas mídias — rádio, televisão, jornais, portais — manifestar-se a respeito. Outros hinos, não obstante a duração dos mesmos (basta cronometrar) são tocados integralmente ou, quando há cortes, digamos que fica algo pelo menos inteligível tanto do ponto de vista musical quanto da letra.



Compreendo que muitos brasileiros não compreendem a letra do nosso hino, pelo contexto histórico em que o mesmo foi escrito (supremacia do Parnasianismo, estilo literário marcado pela linguagem rebuscada) e pelo fato de o brasileiro desconhecer a riqueza de nossa língua. Para os interessados, existem vários sítios na internet que trazem estudos do nosso hino, esclarecendo muito bem o que ele quer dizer. É só buscar “Estudo do Hino Nacional Brasileiro” que certamente encontrarão vários. Particularmente, gosto de um pequeno estudo feito pelo militar da FAB, escritor e poeta Fabbio Cortez.



Posto meu protesto neste espaço invicioneiro para que minhas palavras possam se replicar e, quem sabe, motivar mais alguém a se mover contra essa falta de respeito com nosso símbolo nacional. Quem sabe uma campanha no Twitter para que toquem nosso hino em sua integridade? E mais do que isso, que o hino nos toque, para que percebamos a importância de termos consciência em relação aos problemas de nosso país.



Deixo a seguir meus versos toscos, para fechar esse post.



hinoBrasileiro

(Clique na imagem para ampliar)



“Tino racional brasileiro”



Ouviram o choro das águas

que inundam metrópoles no sul

e arrasam cidadezinhas no norte

e o sol da verdade não brilha ainda

oculto no eclipse da jabulani



Brasil, um sonho intenso de razão

nos momentos plenos de alienação

surge insensato somente em aliteração

na peleja dos versos de rimas paupérrimas

como o povo que ora agora por ajuda

e as rimas pobríssimas em “ão”

ainda não falaram da eleição

mas falarão (ou não?)



Ó pátria amada, idolatrada,

salve-nos, salve-nos!



Brasil, um raio vívido

fugido aos céus com um anjo caído

anuncia mais chuva onde havia seca

e estamos por aqui sentindo frio

aquecidos em nossas casas sem conceber

o quanto sofre quem perdeu tudo



Este tino racional brasileiro

precisa ser despertado novamente

precisamos cantar o hino que nos motive

a torcer não apenas por um time de futebol

mas pelo brilho e calor de um novo sol

que nos permita ser jogadores dessa partida

em que venceremos a copa de nossa vida.



Sobre o Autor:
The EDN

The EDN - sou industriário, trabalho há 27 anos na Cedro (indústria têxtil centenária de Caetanópolis, MG) e atuo como professor há 24 anos em escolas particulares e públicas

O sensacionalismo na imprensa

terça-feira, 23 de março de 2010

 

É muito difícil julgar o papel da imprensa quando nos deparamos com momentos como o atual, em que um fato de grande relevância como o julgamento dos Nardoni ocupa espaço quase que exclusivo em toda a mídia nacional. Cabem sempre questionamentos sobre qual é o limite disso tudo.

 

 

O jornalista Luciano Martins Costa, em seu texto “O espetáculo do júri” de 23/3/2010 no sítio do Observatório da Imprensa, comenta sobre o espetáculo público que virou o julgamento e coloca em suspeita o veredicto que o júri tomar, devido à enorme carga emotiva instaurada sobre o caso. Martins Costa usa as seguintes palavras:

“Os jornais de terça-feira (23/3) procuram reproduzir o que foi o primeiro dia do julgamento do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Trotta Jatobá. Eles são personagens centrais no caso do assassinato da menina Isabella, que foi atirada do sexto andar de um edifício em São Paulo, no dia 29 de março de 2008. (...)

 

De qualquer maneira, seja qual for o veredicto, não haverá como assegurar que a Justiça terá sido feita. A invasão do local do acontecimento por policiais sem nenhuma coordenação, a demora na lacração do apartamento, a ação indiscriminada de repórteres e populares nas redondezas podem ter prejudicado as provas periciais. (...)” (Luciano Martins Costa, in “O Espetáculo do Júri”, no sítio do Observatório da Imprensa)


Vale ler também o texto “Uma conveniente amnésia jornalística”, de Sylvia Moretzsohn, publicado em 23/3/2010 no mesmo Observatório da Imprensa. Faz-nos lembrar que a notícia passa a ser um grande artigo de venda publicitária para as empresas de comunicação e, na grande maioria dos casos, não há nenhum senso ético envolvido.

 

lendo um jornal

O que posso comentar a respeito nesse post é aquilo que coloquei no início: é muito difícil julgar o que seria ético. Até mesmo postar neste blog algo a respeito do caso pode parecer oportunismo. Mas, sinceramente, não foi a intenção. Quero apenas chamar a atenção para sermos mais críticos em relação ao que vemos/lemos/ouvimos na mídia nacional, especialmente quando percebemos que, em torno da notícia, armou-se um grande circo. A imprensa tem um papel conscientizador e formador de opinião. Essa responsabilidade é grande e deve ser exercida eticamente.

 

 

Quando vemos situações assim como o caso Isabella, percebemos que certamente existe algo mais do que o simples interesse da imprensa em divulgar a notícia e informar a sociedade.

 

Ao invés de versos, para os quais não sou conduzido neste momento, deixo-lhes uma tirinha buscada no Google, que achei conveniente para o fechamento desse post.

 

menina_isabella

 

 

Sobre o Autor:
The EDN

The EDN - sou industriário, trabalho há 27 anos na Cedro (indústria têxtil centenária de Caetanópolis, MG) e atuo como professor há 24 anos em escolas particulares e públicas